segunda-feira, 13 de agosto de 2018
Como a indústria têxtil pode reaproveitar materiais
O reaproveitamento de tecidos na indústria têxtil é tema de bate-papo no MM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
Em mais uma edição do projeto CoMciência, o Museu reúne especialistas da área para roda de conversa sobre moda, economia criativa e sustentabilidade
Reciclar, Reutilizar e Reduzir. Você sabia que os 3R's da sustentabilidade podem ser aplicados também na moda? O MM Gerdau - Museu das Minas e do Metal abre espaço para esse debate. Em parceria com o Observatório da Reciclagem Inclusiva e Solidária (ORIS), o espaço, por meio do projeto CoMciência, promove no dia 16 de agosto, às 19h30, um bate-papo sobre como a economia criativa atua na promoção da reutilização e do reaproveitamento dos tecidos na indústria têxtil.
Muito se fala que a produção do lixo em grande escala tornou-se um dos principais problemas da sociedade de consumo. Diariamente, milhares de resíduos são descartados incorretamente e geram grandes impactos para o meio ambiente e para a qualidade de vida no planeta. Na moda, esse cenário não é diferente. Mas como é possível transformar roupas usadas, tecidos desgastados, objetos de decoração e uso cotidiano, dando nova vida a esses produtos? Essa edição do projeto CoMciência fará essa reflexão.
Estarão presentes no bate-papo Lívia Ferreira, bióloga, técnica do Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (INSEA), que atua na implantação do Programa Lixo Zero Santa Tereza e na assessoria das organizações de catadores para promoção do reuso e reaproveitamento. Glaucinei Rodrigues Corrêa, Mestre em engenharia de materiais pela Universidade Federal de Ouro Preto, doutor em arquitetura e coordenador do curso de design da UFMG é outro especialista convidado para essa roda de conversa. Além de Francisca da Silva, artesã, costureira e empreendedora da economia solidária.
Conheça o MM Gerdau
Implantado em 2010, no prédio onde funcionava a Secretaria de Educação de Minas Gerais, o MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal abriga atualmente um importante acervo sobre mineração e metalurgia. Com concepção museográfica de Marcello Dantas e projeto arquitetônico de Paulo Mendes da Rocha e Pedro Mendes da Rocha, o museu utiliza a tecnologia de forma lúdica e criativa para apresentar o universo dos metais, dos minerais e seus componentes. São 18 salas de exposição e 44 atrações em 3D e 2D. O espaço cultural funciona de terça a domingo e apresenta uma programação direcionada a diversas idades.
Sobre o projeto CoMciência
O projeto CoMciência tem o objetivo de difundir e tornar mais acessíveis conteúdos científicos. Por meio de palestras e cursos abertos ao público, assuntos de diversas áreas da ciência são tratados no MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal. O projeto CoMciência abre ao público, sendo ele acadêmico ou não, a possibilidade de conhecer e debater sobre temáticas atuais que têm relação com algumas dessas áreas científicas.
Sobre o ORIS
O Observatório da Reciclagem Inclusiva e Solidária (ORIS) é um espaço de produção e gestão do conhecimento para promoção da reciclagem inclusiva e difusão de soluções técnicas para o problema do lixo urbano. O ORIS procura integrar os conhecimentos acadêmicos, com o saber técnico e prático para gerar mais aprendizado.
Criado em 2012, em Belo Horizonte, a rede é formada pelas seguintes organizações: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), Insea, Fundación Avina, WIEGO Internacional, Movimento Nossa BH, Associação Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ancat) e o Instituto Sustentar.
O ORIS realiza diversas atividades anuais desde seminários, ciclos de estudos, pesquisas, intercâmbios e assessoria às organizações de catadores do Brasil.
Serviço:
Projeto CoMciência - Roda de conversa - Soluções criativas e desafios para a reciclagem de tecidos e a indústria da moda
Data: 16 de agosto
Horário: 19h30
Local: MM Gerdau - Museu das Minas e do Metal – Praça da Liberdade, s/n° - Prédio Rosa
Entrada gratuita. Sujeito à lotação do espaço.
sexta-feira, 10 de agosto de 2018
Em 2020, frutas e hortaliças terão identificação de origem

Alex Rodrigues
Agência Brasil Brasília
Até fevereiro de 2020, todos os vegetais frescos destinados ao consumo humano deverão estar aptos a serem rastreados ao longo de toda a cadeia produtiva - ou seja, da produção à venda ao consumidor final, passando pela distribuição e estocagem. Será o resultado de novas regras de rastreabilidade de frutas, hortaliças e ervas aromáticas, que começaram a ser implementadas em todo o País.
O principal objetivo da instrução normativa publicada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em fevereiro deste ano é permitir o monitoramento e o controle de resíduos de agrotóxicos nos vegetais. De acordo com o ministério, as irregularidades com agrotóxicos e contaminantes em produtos vegetais mais comumente identificadas são a presença de resíduos além do limite permitido; o uso de produtos proibidos no país e a utilização de defensivos permitidos para uma determinada cultura em outra.
As novas normas obrigam que todos os entes envolvidos na cadeia de produção e venda de frutas e hortaliças disponham das informações necessárias para a identificação dos produtores ou responsáveis pelos produtos. “Isso permitirá que os órgãos de fiscalização identifiquem problemas relacionados ao uso de defensivos agrícolas, à contaminação dos vegetais por agrotóxicos”, disse à Agência Brasil a coordenadora de Qualidade de Produtos Vegetais do Mapa, Fátima Parizzi.
Segundo Fátima, o registro das informações facilitará ao poder público identificar a origem e todo o percurso percorrido, do campo à gôndola, por um produto vegetal que contrarie às regras sanitárias. “Nossa preocupação é que as informações necessárias para identificarmos a origem destes produtos sejam preservadas. Assim, constatado qualquer problema, poderemos corrigir a causa da não-conformidade a partir do ponto onde ela ocorreu”, acrescentou a coordenadora.
A instrução normativa, no entanto, não obriga os estabelecimentos comercias a disponibilizarem aos consumidores finais os dados sobre a procedência e trajetória dos vegetais. “Embora alguns produtos já disponham de etiquetas individuais, é muito difícil garantir o acesso de todas as pessoas a este tipo de informação quando se trata, por exemplo, de produtos vendidos a granel. Não só a instrução normativa, mas a legislação não obriga a isso”, comentou Fátima.
O texto da instrução prevê apenas que “o detentor do produto comercializado a granel, no varejo, deve apresentar à autoridade competente informação relativa ao nome do produtor ou da unidade de consolidação e o nome do país de origem” do vegetal produzido para consumo humano.
Fátima acredita que, além facilitar a fiscalização pelos órgãos de vigilância, a medida terá outros impactos positivos. “Acreditamos que vai haver um disciplinamento da venda destes produtos, o que vai beneficiar aos consumidores e aqueles que trabalham corretamente ao longo de toda a cadeia. Muitos produtores sérios têm essa preocupação, pois veem que seus produtos, quando misturados a outros de qualidade inferior, acabam perdendo a identidade”, argumentou Fátima.
O primeiro grupo de alimentos cujos responsáveis estão obrigados, a partir de hoje, a disponibilizar informações que permitam a rastreabilidade incluem a maçã, uva, batata, alface, repolha, tomate e pepino. Um segundo grupo de produtos começa a ser fiscalizado em fevereiro de 2019, quando a publicação da instrução normativa completa um ano. As regras passam a valer para o terceiro e último grupo em fevereiro de 2020, conforme previsto no anexo da norma.
Os registros devem conter, no mínimo, o endereço completo, nome, variedade ou cultivar, quantidade, lote, data de produção, fornecedor e identificação (CPF, CNPJ ou inscrição estadual). Cada ente deve manter os registros das informações obrigatórias que permitam a identificação do ente imediatamente anterior e posterior da cadeia produtiva e dos produtos vegetais frescos recebidos e expedidos. Os produtos, ou seus envoltórios, suas caixas, sacarias e demais embalagens devem estar devidamente identificados por meio de etiquetas impressas, código de barras, QR Code ou qualquer outro sistema de identificação.
Fiscalização
O descumprimento da Instrução Normativa é passível de punições, mas, em um primeiro momento, o Ministério da Agricultura decidiu priorizar a orientação e a correção de eventuais distorções que forem identificadas. “Até o próximo 31 de dezembro, os fiscais vão fazer um trabalho de fiscalização orientativa. Vamos buscar identificar eventuais gargalos, o que está funcionando adequadamente e o que possa não estar de acordo com a prática”, anunciou a coordenadora, admitindo que o assunto tem motivado dúvidas e preocupação.
“Temos recebido inúmeros questionamentos e feito diversas reuniões com representantes do setor, a quem estamos prestando todos os esclarecimentos possíveis. Se, na prática, for identificada alguma distorção com relação ao impacto econômico, trabalharemos nisso”, disse Fátima, acrescentando que a norma não visa a criar dificuldades, mas sim a uniformizar, nacionalmente, uma prática já implementada com bons resultados em algumas unidades da federação.
Reivindicação do setor
Presidente da Associação Brasileira de Produtores de Maçã, Pierre Nicolas Peres afirma que as medidas atendem a uma antiga reivindicação do setor produtivo. “Tudo que serve a melhor organização do setor é bom. Todos ganham com a rastreabilidade, exceção ao produtor ou comerciante que não trabalha com seriedade”, comentou Peres, minimizando os custos de implementação do sistema medida.
“Não haverá grande impacto econômico. Os produtores familiares talvez sintam algum reflexo, mas, no fim das contas, será um investimento pequeno diante dos benefícios. Os grandes produtores já estão preparados. Até porque, você não exporta para a Europa caso não ateste a rastreabilidade da produção”.
Preocupação
O coordenador da Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Contraf), Alexandre Bergamin, informou à Agência Brasil que, entre os pequenos produtores, a medida causa preocupação. “O sistema de rastreabilidade é muito importante também para atestar a qualidade da produção familiar, mas receamos os efeitos práticos da implementação do sistema. Não só pelos custos, mas pelo que ele pode gerar de burocracia. Hoje, já há, em algumas atividades, como a criação de suínos, impeditivos legais que ameaçam ou até mesmo inviabilizam a produção familiar”.
Bergamin disse que representantes da entidade chegaram a manifestar ao Mapa as preocupações e dúvidas do segmento, durante o processo de discussão da norma, “mas sem aprofundar o debate”. Segundo ele, é positivo o ministério ter decidido criar um prazo para “ajustes”, até dezembro. “Vamos observar o que acontece, a forma como vai se dar a fiscalização e seus impactos.”
quinta-feira, 9 de agosto de 2018
Aplicativo usa pontos de referência para ofertar imóveis

Carlos Teixeira
Radar do Futuro
Empresa tradicional no mercado imobiliário mineiro, a LAR Imóveis prepara o lançamento de um aplicativo que a empresa define como inovador. A solução, baseada em filtros de busca, possibilita ao comprador ou locador de imóveis comerciais ou residenciais identificar as ofertas disponíveis em torno de um ponto de referência. Uma escola, um clube ou um shopping, por exemplo.
O sistema é resultado de um ano de desenvolvimento, com a proposta de inovar em relação ao que existe no mercado. O cliente pesquisa a partir de um ponto específico, uma "âncora para o cliente", segundo a definição de Hermano Rodrigues, diretor de inovação da empresa. O investimento em inovação reflete a convicção de que a digitalização amplia a influência nos processos envolvendo todos os tipos de imóveis.
Quem passou a conviver apenas agora com as imobiliárias não tem a menor ideia do que era a atividade no passado. E no que está se transformando. Hoje, as equipes são focadas em atendimento digital. E em gestores que incorporam a mudança de mentalidade empresarial, focados na antecipação das tendências que vão revolucionar o mercado.
Os administradores que estão chegando, da geração nascida e crescida no ambiente da computação e da internet, tendem a mudar as definições sobre os conceitos de imobiliárias. Agora, há mudanças de modelos de negócios como objetivo. E há a introdução da linguagem em que clientes são os leads, há jornada de compras e uma atenção especial com a experiência do cliente. A valorização da experiência do consumidor faz parte da alma do negócio.
Mudanças exponenciais
Características das corretoras imobiliárias do passado estão sendo substituídas irremediavelmente. Quando Luiz Antônio Rodrigues iniciou as atividades da LAR Imóveis, há mais de 40 anos, havia uma dependência absoluta dos classificados de jornais impressos. Os anúncios em papel representavam uma das principais fontes de despesas das imobiliárias. Plantões de corretores eram essenciais, apenas para aguardar telefonemas que podiam nem mesmo vir.
O fim da receita com os classificados representou uma parte considerável da crise atravessada pelos veículos de comunicação atualmente. E o desenvolvimento da telefonia celular e de novas mídias eliminou a dependência de corretores disponíveis em endereços físicos para receber ligações. Basta um celular para atender a qualquer momento, de qualquer lugar.
"Hoje temos maior nível de profissionalização", reconhece Luiz Antônio Rodrigues. O empresário mantém uma rede com cinco unidades em Belo Horizonte por conta da crença, compartilhada por outros proprietários de empresas, de que ainda é necessário manter os pontos de referência para relacionamento com os clientes potenciais e os já conquistados.
O reposicionamento é essencial no atual momento em que o segmento atrai fortes interesses. Segundo especialistas, existem hoje mais de 200 startups imobiliárias recebendo investimentos e revolucionando o setor. As empresas sentem -- muitas se ressentem, na verdade -- das mudanças dos comportamentos. As novas gerações têm o smartphone como extensão do corpo e buscam novos modelos de trabalho e de moradia.
quarta-feira, 8 de agosto de 2018
Futuro dos jovens: o peso da insegurança e de expectativas

Agência Brasil
A repercussão de casos de suicídio e tentativas de autolesão entre jovens, principalmente estudantes, aumentou a percepção entre gestores e especialistas de que é preciso falar mais sobre o tema, ainda muito estigmatizado. Eles afirmam que o número de ocorrências segue uma tendência mundial de crescimento de mortes autoprovocadas na faixa etária mais jovem.
As entidades educacionais não divulgam levantamento específico sobre casos de suicídio entre universitários, mas em vários estados, perdas abruptas recentes têm motivado a adoção de medidas e estratégias para debater o tema e prevenir mortes precoces.
Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que jovens são mais suscetíveis aos sofrimentos emocionais e transtornos mentais, porque nesta fase há muita expectativa e insegurança em relação ao futuro. Além disso, são submetidos a muita pressão sobre decisões importantes que devem ser tomadas cada vez mais cedo, quando ainda não apresentam experiência e habilidades psíquicas para lidar com frustrações e situações de muita responsabilidade.
“Essa fase de transição entre adolescência e a vida adulta acaba sendo conturbada, ainda mais na universidade, que é o lugar em que a pressão fica muito alta. Eu vejo por colegas do meu curso, pessoas que ficam adoecidas mentalmente pela exigência da academia”, explicou o psicólogo Renan Lyra, mestrando da Universidade de Brasília.
Os psicólogos explicam que as ocorrências podem estar relacionadas também a um sofrimento psíquico, que não chega a ser uma doença mental.
Exigências para ter sucesso, ser perfeito em tudo e a uma cultura que estimula a competitividade tem levado jovens a problemas de saúde mental - Marcelo Camargo/Agência Brasil
Apesar da falta de pesquisas sobre o assunto, outro fator que pode estar levando os jovens a atentarem contra a própria vida são as exigências do mundo para ter sucesso e ser perfeito em tudo e a uma cultura que estimula a competitividade entre as pessoas e não proporciona a aceitação do diferente.
“Esse momento tem exigido muito dos jovens. Eles precisam estar hiperconectados, ser empreendedores, ter sucesso, dar conta de mil coisas ao mesmo tempo. E aí tem uma série de questões, tanto mais voltadas para o sucesso acadêmico, emprego e também as relações familiares e com os outros. As pessoas estão mais intolerantes com o diferente e isso também causa sofrimento”, explicou o psicólogo Paulo Aguiar, membro do Conselho Federal de Psicologia (CFP).
Emergência médica
Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o preconceito e o tabu em torno do tema ainda são os principais empecilhos para o diagnóstico precoce dos fatores de risco que podem levar a pessoa ao suicídio. A entidade alerta que cerca de 97% dos casos estão relacionados a transtornos mentais, como depressão (37%), bipolaridade, uso de substâncias psicoativas (23%), esquizofrenia e ansiedade (11%), entre outros.
“O índice de suicídio entre os jovens cresceu muito, porque nós temos hoje um consumo muito maior em relação ao uso de drogas, de álcool, de substâncias psicoativas de uma maneira geral. Isso levou a um desencadeamento maior de quadros psiquiátricos nos jovens, supressão do sono, pressão muito alta, ansiedade por resultado e performance. Isso fez com que os jovens ficassem mais sujeitos ao adoecimento”, explicou o diretor e superintendente técnico da ABP, Antônio Geraldo da Silva.
O médico alerta que as doenças psiquiátricas têm ficado mais prevalentes, porque as pessoas não procuram ajuda e, assim, não têm acesso ao tratamento adequado. “Tem gente que vai precisar só de medicamento, tem gente que vai precisar só de psicoterapia e tem gente que vai precisar de psicoterapia e medicamento. Varia de pessoa para pessoa e do diagnóstico que é feito”, completou o psiquiatra que é coordenador nacional da Campanha Setembro Amarelo (de prevenção ao suicídio)
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, por ano, mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida, número que representa 1,4% de todas as mortes do mundo. Depois da violência, o suicídio é o fator que mais mata jovens entre 15 e 29 anos. Para cada suicídio, ocorrem 20 tentativas.
Segundo o Ministério da Saúde, o índice de lesões autoprovocadas, entre elas, as tentativas de suicídio, predomina em mulheres brancas, na faixa etária da adolescência (10 a 19 anos) e adultos jovens (20 a 39). O número pode ser maior, já que, segundo o ministério, apenas uma em cada três pessoas que tentam suicídio é atendida por um serviço médico de urgência que deve notificar os casos.
“Está mais do que claro que o suicídio é uma emergência médica. Se alguém falar sobre esse assunto, tem que levar para o médico, tem que procurar um psiquiatra, é um fato, é uma doença que mata”, alertou o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva.
Atendimento especializado
Em Brasília, seis em cada dez atendimentos de crise psíquica realizados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) são relativos a pacientes entre 14 e 39 anos. A maioria deles foi atendida por apresentar comportamento suicida.
O serviço de urgência da capital federal é pioneiro no país em disponibilizar uma viatura exclusiva para atender casos de saúde mental. A equipe da viatura especializada conta com médicos psiquiatras, um assistente social ou psicólogo e um enfermeiro, todos capacitados para lidar com a chamada intervenção em crise.
Segundo Brenda Carla, enfermeira e gerente da Central de Informações Toxicológicas e Atendimento Psicossocial do Samu-DF, a viatura especializada atende a uma média de 150 casos por dia. Os chamados para intervenção em episódios de crises de saúde mental (com possibilidade de atentado à própria vida) duplicaram do ano passado para cá.
A enfermeira avalia que o aumento pode ter ocorrido pela maior sensibilização da sociedade ou de profissionais da saúde que têm notificado melhor as tentativas de autolesão. Ela ressalta que os números podem ser ainda maiores, uma vez que os casos são subnotificados e muitas ocorrências de suicídio são tratadas pelas outras viaturas como casos de atropelamento ou outro tipo de acidente.
O serviço de urgência da capital federal é pioneiro em disponibilizar uma viatura exclusiva para atender casos de saúde mental - José Cruz/Arquivo Agência Brasil
Outro dado considerado preocupante é o aumento de chamados pelas escolas. Segundo a enfermeira, nos últimos meses, o Samu-DF atendeu pelo menos uma ocorrência por dia em ambiente escolar para socorrer adolescentes em crise.
A tendência motivou o serviço a estruturar um novo projeto para atualizar o chamado Samuzinho e trabalhar a prevenção de suicídios nas escolas. “Suicídio é uma das preocupações que a gestão pública tem que ter. Há 20, 30 anos nós não tínhamos o foco e a preocupação de que o quadro psíquico adoecia e matava”, alerta Brenda Carla.
“Os quadros psíquicos geram grande impacto para saúde pública e a população tem tido quadros depressivos que desencadeiam quadro suicida. É uma realidade que precisa ser tratada e prevenida”, completou Brenda.
O crescimento dos casos de saúde mental também motivou o Samu-DF a disponibilizar um profissional especializado em comunicação terapêutica no atendimento telefônico na Central 192. Esse profissional atua 24 horas para auxiliar no manejo de pacientes psiquiátricos, que demandam um tempo maior de atendimento do que a média normal - de dois a três minutos - que geralmente dispõem os outros médicos do Samu para decidir se enviam a viatura para a ocorrência.
Prevenção
A OMS alerta que 90% dos casos de suicídio poderiam ter sido evitados. E o Ministério da Saúde ressalta que as pessoas que já tentaram o suicídio devem ser o principal foco das ações de vigilância e de ações preventivas dos profissionais e serviços de saúde.
Em Brasília, o Samu acompanha os pacientes que sobreviveram à tentativa de suicídio. Os profissionais de saúde e assistentes sociais são orientados a ligar de três a cinco vezes para o paciente ou para algum contato de sua família para saber se ele está em tratamento.
“Não adianta o Samu ir lá atender se ele [o paciente] não for acompanhado. A gente volta a ligar para o paciente para monitorar e evitar que ele tenha reincidência ou recaída de comportamento. Se ele relatar alguma dificuldade, a gente faz contato com a rede para ver se consegue garantir o atendimento e evitar que o paciente recorra ao 192, ou seja, uma urgência”, explicou Brenda.
Depois do atendimento de urgência pelo Samu, os pacientes são encaminhados para serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), como os Centros de Atendimento Psicossocial (Caps) ou o Adolescentro, serviço do DF que atende adolescentes de 10 a 18 anos de idade que tenham algum transtorno mental, tenham sido vítimas de violência ou necessitem de acompanhamento em outras áreas, como nutrição e ginecologia.
A gerente do Samu, entretanto, se queixa da pouca sensibilização dos profissionais de saúde, principalmente os que atuam nos prontos socorros, onde muitas vezes os pacientes psiquiátricos ou os que estão em risco iminente de tirar a própria vida não são classificados de maneira adequada e não são acolhidos com a mesma urgência que outros casos devido à ausência de traumas físicos, preconceito ou falta de informação.
“O que acontece muito é que a gente pega paciente com tentativa de suicídio visualizada, com planejamento, leva para o hospital para garantir sua integridade física e o tratamento. Mas o pessoal acha que esse paciente é um peso a mais na unidade de saúde e que é um absurdo atender ele e deixar outro com infarto”, relatou Brenda.
“A própria população não tem entendimento e a gente tem trabalhado na humanização. Esse paciente é grave. É uma doença como as outras que precisam ser tratadas, acompanhadas e medicadas”, completou.
É preciso falar
Uma das abordagens de prevenção aos fatores de risco do suicídio é falar sobre o assunto com pessoas próximas e profissionais especializados. Segundo especialistas, a questão de saúde mental, no entanto, ainda é estigmatizada e pouco compreendida não só no meio acadêmico, mas na sociedade de forma geral.
“As pessoas não querem falar das doenças mentais. E o que mata são as doenças mentais, isso é óbito por suicídio e as pessoas não estão prestando atenção nisso”, alertou o psiquiatra Antônio Geraldo.
Para transformar esse imaginário social, alguns especialistas recomendam que a sociedade dialogue com mais naturalidade sobre as imperfeições, frustrações e saúde mental sem mitos, estigmatizações e preconceitos e crie ambientes que possam incorporar e aproximar as pessoas que têm passado por dificuldades emocionais ou psíquicas.
“A gente precisa entender que saúde mental faz parte da saúde do sujeito como um todo, não é uma coisa separada. E geralmente a gente separa, porque existe ainda, infelizmente, um imaginário social sobre o que é a doença ou o transtorno psíquico carregado de muito preconceito. Há um imaginário de que as pessoas que apresentam transtorno não vão dar conta, são fracassadas e, a partir disso, de alguma forma a sociedade isola e afasta essas pessoas”, explicou o representante do Conselho Federal de Psicologia (CFP) Paulo Aguiar.
Para os psicólogos, a família e a escola podem ter papéis importantes se permitirem ou facilitarem o desenvolvimento da subjetividade e da saúde mental das pessoas, de forma que elas tenham capacidade para lidar com as situações difíceis de forma mais tranquila.
“O sujeito desenvolvendo sua subjetividade num ambiente que possa se expressar, ser respeitado, emitir sua opinião, construir suas ideias, tenha liberdade, isso tudo vai dando condição para que ele construa processos de subjetivação que possam deixá-lo mais fortalecido para enfrentar a vida”, afirmou Aguiar
Crianças e internet: pais devem acompanhar o uso

Daniel Mello
Agência Brasil
Os pais precisam se aproximar dos filhos para evitar o uso problemático de computadores, jogos eletrônicos e celulares, defendem as especialistas que participaram na terça-feira, dia 7 de agosto, do Workshop Impactos da Exposição de Crianças e Adolescentes na Internet. O evento foi promovido pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).
“A gente não escuta os nossos filhos, não dá importância para as necessidades deles”, enfatizou a gerente da assessoria jurídica do Nic.br, Kelli Angelini. Ela citou dados levantados pela entidade que mostram que grande parte dos adolescentes de 11 a 17 anos estão expostos a conteúdos impróprios na rede. “Será que os pais estão atentos a isso? Será que os pais sabem que 27% das meninas que responderam a pesquisa já tiveram acesso a conteúdos que estão relacionados a formas de ficar mais magro?”, exemplificou.
Usos problemáticos
O mau uso das tecnologias ou o abuso de celulares e jogos eletrônicos pode levar ao desenvolvimento de diversos problemas, de acordo com a pediatra e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Evelyn Eisenstein. “Nós já estamos vendo o primeiro sintoma: transtornos de sono. Crianças que dormem menos. Crianças para dormir bem, em uma fase de crescimento, têm que dormir entre oito e nove horas. Nós temos crianças dormindo 6 horas”, destacou.
No caso dos adolescentes, a psicóloga Evelise Galvão de Carvalho disse que muitas vezes os jogos eletrônicos são uma forma de fugir das frustrações cotidianas. Garotos com dificuldade de se socializar, por exemplo, conseguem ter vidas mais atrativas no mundo virtual, de acordo com a especialista. “Quando ele chega em casa, depois da escola, ele entra no jogo e muda tudo. E dentro do jogo ele passa a ser um avatar. Dentro do jogo ele não tem idade, não envelhece, tem uma namorada há mais de um ano. Ele passa tempo com essa pessoa, fazem coisas juntos dentro do jogo”, enumerou sobre as realizações possíveis dentro do ambiente virtual.
“Embora não seja verdadeiro o que ele está vivendo, as sensações e as reações são verdadeiras, são gratificantes”, acrescenta Evelise. Jovens nesse tipo de situação estão, segundo a psicóloga, mais predispostos a estabelecer uma relação problemática com os jogos. Isso acontece quando o jovem passa a dedicar mais energia à virtualidade do que ao mundo real, deixando até obrigações de lado para jogar.
A especialista ressalta que é preciso refletir por que a vida cotidiana é tão frustrante e desanimadora para parte dos adolescentes. “Que tipo de mundo nós estamos oferecendo para as nossas crianças e adolescentes que eles estão preferindo viver em um mundo que não é real do que viver aqui com a gente?”, questiona Evelise.
Proibição
No entanto, a psicóloga se diz contrária a proibir o uso das tecnologias pelos jovens como forma de tentar contornar os problemas. “O movimento de luta contra as tecnologias é uma guerra sem fim, que a gente nunca vai ganhar. Nós vivemos em um mundo tecnológico, não tem mais volta. A tendência é ao contrário, cada vez mais a gente vai estar inserido e vivendo com essa tecnologia”, enfatizou.
“Proibir eu não estou ensinando nada”, acrescentou ao comentar a interdição do uso de celular em algumas escolas. “A gente vem em contramão de outros países que inserem os celulares nas escolas”, ressaltou.
“Não acho que seja proibir, castigar, mas ensinar sobre o uso. Dialogar. Colocar regras, limites, saber explicar para o seu filho e sua filha o uso correto”, concordou a professora Evelyn Eisenstein.
terça-feira, 7 de agosto de 2018
Cinco passos para uma adoção bem sucedida da IA

Matheus Assis Baeta
A inteligência artificial (IA) não é mais um conceito vago do futuro. A adoção da IA deu o salto da teoria inocente na qual os filmes de ficção científica, como Tron e 2001 - Uma Odisseia no Espaço, eram baseados em um componente prático de prestação de serviços eficiente e amigável a clientes.
Mas, enquanto os chatbots e as funções de busca otimizadas são estimulantes para as organizações de atendimento ao cliente em todo mundo, as empresas precisam estabelecer algumas bases antes que os benefícios da IA realmente criem raízes. Desde a compreensão de como funciona sua organização de serviços hoje, até a avaliação de como o sucesso será medido amanhã, acho que as equipes de liderança de atendimento ao cliente têm seu trabalho facilitado enquanto mergulham nesse mundo liderado por máquinas!
Do meu ponto de vista, essas cinco áreas devem ser consideradas para que qualquer empresa possa implementar com sucesso um sistema de IA.
1. Aumente a ênfase na documentação
A ideia por trás da IA é que o computador aprende e fica melhor em oferecer soluções com mais frequência. Agora, a máquina não está reunindo essa informação por conta própria. Para que a máquina aprenda padrões e determine a resposta adequada a uma consulta, você precisará fornecer detalhes sobre experiências anteriores que seus agentes tiveram. Você faz isso compartilhando dados de tickets ou gravações de chamadas com a ferramenta IA (bem, mais provavelmente com seus desenvolvedores).
O que isso significa para o seu negócio hoje? Se você não estiver capturando casos e documentando soluções ativamente, precisará iniciar seus esforços de IA investigando sistemas de emissão de tickets, opções de gravação, sistemas de resposta interativa por voz (IVR) e talvez uma plataforma de gerenciamento de relacionamento com clientes (CRM). Comece reunindo os dados necessários para construir a "inteligência" que sua empresa precisa para funcionar com sucesso.
Assim como um computador não sabe quais palavras usar sem examinar seus dados, ele também não sabe a resposta correta para uma consulta ou a solução correta, a menos que você o informe.
2. Concentre-se em modelos e processos
As interações do cliente são um dos tipos de dados: seus modelos e processos são outros. Assim como um computador não sabe quais palavras usar sem examinar seus dados, ele também não sabe a resposta correta para uma consulta ou a solução correta, a menos que você o informe.
Dê um passo atrás e veja como seus agentes respondem hoje. Suas respostas são consistentes? As respostas escritas são padronizadas? Todo mundo segue o mesmo procedimento para lidar com questões de clientes? Caso contrário, é hora de se concentrar nos seus fluxos de trabalho internos e criar os modelos e processos para suportá-los.
3. Pense além dos chatbots
O objetivo da inteligência artificial deve ser melhorar a experiência do cliente. Esse deve ser o principal fator para usá-lo. Portanto, antes de mergulhar na criação de um chatbot ou investir em sistemas de análise de sentimentos, pare e pense sobre o valor para o cliente.
Eu estava na conferência SMART 2018 Customer Service, em abril passado, e uma das palestras foi feita por dois membros da equipe AWS da Amazon, que transmitiram uma reportagem sobre o potencial de soluções integradas de inteligência artificial. Eles falaram sobre o aprendizado de máquinas emparelhadas com os sistemas IVR e CRM de uma companhia aérea. Quando um cliente ligou, ele não foi solicitado a "pressionar um" para obter ajuda com o voo. Em vez disso, eles disseram: "O seu voo para Chicago foi atrasado. Podemos remarcá-lo em um voo saindo em 25 minutos. Gostaria de mudar sua reserva? "Em questão de segundos, um passageiro frustrado estava a caminho de casa e a crise foi evitada!
Por isso, antes de saltar para a mais recente e melhor opção de IA da atualidade, observe os sistemas que você tem em funcionamento. Imagine como eles podem ser integrados para fornecer uma experiência de ponta ao cliente. Existem pontos nas suas operações em que os agentes estão referenciando frequentemente vários sistemas? Considere como eles podem ser incorporados à sua solução de IA para que você possa fornecer o tipo de serviço mencionado na apresentação da Amazon.
4. Planeje a transferência para agentes vivos
Ao pensar em integração de sistemas, considere também a transferência de sua solução de IA para seus agentes humanos. A ideia é melhorar a prestação de serviços, portanto, certifique-se de que os clientes só precisem fornecer suas informações uma vez. Dê conta de uma transferência perfeita para seus agentes ativos quando necessário. Fale sobre as mudanças que podem ocorrer enquanto o seu programa de IA acerta.
5. Invista em sua equipe de atendimento
À medida que as máquinas começam a lidar com as consultas de rotina, o papel dos seus agentes de atendimento ao cliente começará a mudar. A porcentagem de casos mais complexos aumentará, exigindo habilidades mais profundas de resolução de problemas. Os agentes podem estar em uma posição melhor para ajudar a equipe de vendas com upselling e encontrar novas oportunidades.
Tenha em mente que essa solução técnica terá implicações pessoais e refletirá sobre os problemas relacionados a isso. Faça perguntas como:
• Será necessário treinamento adicional para ajudar a desenvolver as habilidades dos agentes atuais?
• Quais esforços de gerenciamento de mudança serão necessários? (Afinal, os agentes podem se preocupar com a segurança de seus trabalhos quando uma solução de IA é apresentada.)
• Você precisa reexaminar seus critérios de contratação para que novos agentes cheguem a um nível mais experiente?
Antes de mergulhar, dê uma olhada nas maneiras pelas quais a IA afetará as pessoas em sua organização - e examine os custos relacionados.
Além disso, tenha uma visão de futuro em termos de como essa mudança no conteúdo da consulta afetará a maneira como você avalia o desempenho de sua organização de atendimento ao cliente e dos agentes. É provável que, se sua equipe de atendimento lidar cada vez mais com casos mais complexos e se tornar responsável por fornecer ainda mais valor à organização, talvez seja necessário questionar métricas antigas, como o tempo de tratamento. Antecipe e fale sobre as mudanças que podem ocorrer enquanto o seu programa de IA acerta.
Como qualquer nova mudança, tecnológica ou não, há muita preparação necessária para aproveitá-la ao máximo. Espero que haja mil outras considerações pelas quais as empresas passarão ao longo dos anos, à medida que a IA se tornar mais e mais prevalente nas organizações de serviços. Mas, hoje, se nos concentrarmos na documentação e nos processos, estaremos no caminho certo para usar o que está disponível para nós agora e perceber as possibilidades do amanhã.
*Matheus Assis Baeta é diretor da OTRS Brasil
Seis forças que travam o empreendedorismo social

Kyle Zimmer - Presidente e Diretor Executivo, First Boo
Kristine Pearson - Fundadora e CEO da Lifeline Energy
Empreendedores sociais em todo o mundo têm sido catalisadores incomparáveis para a mudança social. Eles usam estratégias voltadas para o mercado para lidar com questões sociais críticas de novas maneiras. Através de empresas sem fins lucrativos, com fins lucrativos e empresas híbridas, os empreendedores sociais promoveram uma ampla gama de soluções voltadas para o desenvolvimento sustentável, décadas antes da denominação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
O verdadeiro poder dos empreendedores sociais é o seu talento para identificar falhas de mercado que estão retendo a humanidade e sua habilidade em adaptar e implementar soluções. Isso inclui o fornecimento de água limpa, acesso a energia renovável, inclusão financeira, recursos educacionais de alta qualidade e informações críticas que permitam o florescimento da agricultura produtora de vida.
À medida que o campo amadureceu, também aumentou a complexidade e a profundidade das questões sociais em jogo. Somos confrontados por uma onda crescente de crises - democracias oscilantes, injustiça racial, discriminação de gênero e LGTBQ, catástrofes ambientais, crescimento populacional, instabilidade alimentar, nacionalismo e avanços tecnológicos que exigem novas habilidades e treinamento da força de trabalho. Sem mencionar o aumento alarmante das populações deslocadas por desastres naturais ou conflitos.
Riscos crescentes
Entrando agora na sua quarta década, o campo do empreendedorismo social está numa encruzilhada. As empresas não estão crescendo a um ritmo suficiente para enfrentar os problemas crescentes. Nosso setor tem se destacado no lançamento de iniciativas. Mas negligenciou os sistemas subjacentes para escalar modelos maduros e bem-sucedidos. Corremos o risco de desviar-nos das conquistas sociais inovadoras que alcançamos. Também corremos o risco de perder a expertise de empreendedores sociais experientes, mas muitas vezes desencorajados, no exato momento em que o setor social é mais necessário.
Claramente, há falhas de mercado no setor social. Nossa tarefa é urgente. Como empreendedores sociais, precisamos fazer o que fazemos melhor: examinar nosso campo e identificar os desafios que nos atrapalham, depois desenvolver e implementar soluções para impulsionar nosso trabalho coletivo.
Enquanto universidades, grupos de reflexão e outros grupos estudam e apóiam empreendimentos sociais, o elo perdido tem sido um engajamento sincero e autêntico por parte de nós no campo. Uma coisa é estudar empreendedores sociais; outra coisa é se preocupar em cumprir a folha de pagamento, garantir que sua organização esteja continuamente inovando seus modelos e alinhando a expertise da equipe para aumentar o impacto, enquanto coloca sua saúde, família, relacionamentos e até vidas em risco em sua mudança sistêmica.
O que nos impede?
Aqui estão seis dos muitos obstáculos que impedem o progresso no setor social.
1. A estrutura do setor não promove a inovação
O empreendedorismo social, como qualquer outro setor, precisa incentivar a experimentação e o risco. O valor disso e seu impacto na inovação é visível em quase todos os campos, da saúde à educação, aos setores agrícola e industrial.
No entanto, como o financiamento favorece quase exclusivamente resultados positivos e métricas conservadoras de impacto, a experimentação no setor social não é incentivada. Embora as métricas de entrega sejam uma meta, os maiores ganhos em qualquer campo geralmente são fornecidos por estratégias que são experimentais. Os resultados dessas estratégias especulativas são, por definição, especulativos. A dependência do setor social em financiamentos baseados em métricas reduz sua capacidade de experimentar, desenvolver aprendizados e re-inovar.
No mundo corporativo, a experimentação é chamada de falha rápida (fail fast) e falha com frequência (fail often). No setor social, é simplesmente chamado de fracasso.
2. O setor não tem acesso consistente ao capital
Embora o capital seja limitado para empreendimentos sociais em estágio inicial, ele é bastante reduzido para empresas sociais comprovadas que trabalham em escala. Há avanços no investimento de impacto e o campo está tentando ganhar força. Mas também há dúvidas significativas sobre a viabilidade de um mercado de capitais que pressupõe que os investidores ficarão satisfeitos com retornos financeiros abaixo do mercado. Além disso, persistem dúvidas sobre se uma empresa que deve gerar retornos significativos pode ser livre para buscar e priorizar a mudança social.
Além disso, as barreiras culturais podem limitar significativamente o acesso ao capital para mulheres, minorias e empreendedores sociais indígenas em todo o mundo.

3. Agendas complexas
No setor privado, se você criar um produto melhor, os capitalistas de risco chegam até você com dinheiro e expectativas de retorno desse capital.
No setor social, os investidores chegam a um empreendedor social e dizem: "amamos o que você construiu, mas aqui estão nossas prioridades que devem ser incluídas na execução de seus negócios". Empreendedores sociais são, então, incumbidos de dobrar seus modelos para atender às necessidades da comunidade financiadora, em detrimento das necessidades de quem é sua missão servir. Esse desalinhamento distrai os esforços de expansão das empresas sociais e não permite que o empreendedor direcione o crescimento da maneira mais eficiente e eficaz para atender às necessidades sociais.
4. Relatórios não transparentes
Como o setor social está carente de financiamento, muitas vezes há um esforço para relatar as melhores descobertas possíveis, a fim de maximizar a probabilidade da próxima rodada de financiamento. Não é que alguém deturpe os seus resultados (ok, alguns o fazem), mas a ligação entre descobertas positivas e financiamento de sobrevivência no futuro é perigosa. Mais uma vez, essa dinâmica prejudica a experimentação e a inovação.
Da mesma forma, os financiadores geralmente recompensam os resultados positivos. Eles são menos propensos a financiar empreendedores sociais que relatam contratempos, muito menos falhas - mesmo quando esses experimentos podem levar a melhores estratégias para o campo.
5. A mídia adora novas organizações sem fins lucrativos
A mídia é fascinada por grandes empresas, mas não por grandes empresas sociais. As histórias da mídia tendem a se concentrar em pequenas ou novas empresas que apresentam uma narrativa de compaixão humana, uma nova tecnologia ou um novo uso de uma tecnologia. O setor social é um cemitério de elefantes para essas histórias de curto prazo.
A capacidade de voz e narrativa do campo deve ser expandida para refletir todo o espectro das instituições sociais, se quisermos impulsionar uma mudança de larga escala sem precedentes. Como setor, também precisamos promover exemplos de organizações de mudança sistêmica para que o campo possa aprender de si mesmo.
6. Líderes do setor social lutam contra o esgotamento
Há uma preocupação crescente de que os empreendedores sociais, que lidam com o estresse crônico de manter e desenvolver suas organizações, estejam sofrendo de depressão e exaustão. Quase 50% dos empreendedores sociais que participaram da Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial de 2018 relataram dificuldades com o esgotamento e a depressão - um número que é alarmante, especialmente considerando que esses são os empreendedores sociais de maior sucesso e escala, e não surpreendentes. Essa pode ser uma experiência diferente da de um empresário típico, que pode não ter o mesmo investimento emocional naqueles que existe para servir.
Doadores, conselhos e investidores precisam reconhecer melhor as realidades do esgotamento a longo prazo e fornecer recursos para apoiar os líderes do setor social. As fundações e os investidores precisam entender como suas práticas contribuem para o esgotamento e a exaustão a longo prazo dos próprios líderes que eles buscam apoiar. Sentimo-nos encorajados pelo fato de que um grupo de patrocinadores associados à Filantropia do Big Bang começou a fazer exatamente isso em sua mais recente convocação, e encorajamos veementemente filantropos e oficiais de programas a iniciarem conversas honestas e de mão dupla com seus donatários e investid tema.
Além do burnout, os egos de líderes do setor social apaixonados podem, às vezes, impedir o julgamento de seus negócios. Por exemplo, uma opção para escalonamento pode ser a fusão de duas empresas sociais, mas os conceitos de fusões e aquisições como uma estratégia de negócios raramente são discutidos.
O setor social também sofre das mesmas questões de desigualdade que foram relatadas em outros setores. Enquanto empresas sociais lideradas por mulheres, pessoas de cor, indígenas ou jovens podem estar contribuindo significativamente para a mudança social, questões como assédio sexual e assalto, racismo, sexismo, discriminação etária e questões relacionadas podem impactar negativamente as oportunidades de financiamento e crescimento de suas organizações, contribuindo ainda mais para o burnout.
Sabemos que esses seis obstáculos são apenas o começo. Há certamente uma lista mais longa e mais complexa de questões que precisam ser reconhecidas e abordadas.
Em uma série de posts, entrevistas confidenciais, pesquisas e outras formas de envolvimento, nos uniremos a empreendedores sociais de todo o mundo.Coletivamente, identificaremos e enfrentaremos os desafios que impedem o progresso no setor social e também criamos mudanças para aqueles que servimos. O diálogo e a avaliação perspicazes e sem envernizamento são fundamentais para abordar o que está errado no campo, aprender como os empreendedores sociais fracassam no setor e fornecer o que é necessário para apoiar o dimensionamento significativo, a inovação contínua e o impacto em todo o mundo.
Texto publicado originalmente em https://www.weforum.org/agenda/2018/08/six-challenges-social-entrepreneurs-need-to-overcome
segunda-feira, 6 de agosto de 2018
Economistas apontam alternativas para superar a crise complexa
"Não há saída fácil, o esforço de diagnóstico não é trivial e a sugestão de alternativas deve levar em conta todas as dimensões da crise." Contribuir para o esclarecimento sobre a complexidade do momento vivido pelo País é, provavelmente, uma das contribuições mais importantes do livro "Alternativas para uma crise de múltiplas dimensões" que os economistas Mônica Viegas Andrade e Eduardo da Motta e Albuquerque lançam no próximo dia 5 de setembro, na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (Face/UFMG).
Segundo os professores, a publicação possibilita a explicitação das múltiplas dimensões da crise e da necessidade de articulação entre elas. Vinte três textos de especialistas em economia e demografia reforçam a necessidade de incorporação dos vários aspectos para uma discussão séria, que fuja das frases feitas e de ideias preconcebidas. "Análises que encaram a realidade complexa e problemática que todos defrontamos", assinalam.
A iniciativa foi originada em eventos realizados nos últimos anos. Diante da profundidade e da amplitude da crise no Brasil, o Cedeplar, vinculado à Face/UFMG, provocou a realização, em 2016, de um conjunto de seminários sobre a crise. Os eventos por sua vez, estimularam a organização no segundo semestre de 2017 de uma nova rodada de debates, dessa vez focada na discussão e elaboração de alternativas para a crise.
Integração
Cada professor dos Departamentos de Demografia e de Economia foi convidado a apresentar um seminário sobre uma dimensão da crise, preferencialmente uma reflexão a partir da área de ensino e pesquisa em que atua academicamente. A ideia era provocar cada professor a interpretar a crise nos seminários de 2016, sugerindo alternativas nos seminários de 2017.
Este livro é resultado das reflexões desses dois conjuntos de seminários, com a apresentação de 23 capítulos que buscam combinar elementos de diagnóstico de dimensões da crise com a elaboração de alternativas. Após os seminários, cada apresentação foi transformada em um capítulo sintético, sumário, que indicasse as raízes do problema discutido e linhas para a sua superação. Textos não acadêmicos apoiados em trabalhos acadêmicos.
O conjunto das discussões nos dois seminários envolveu temas que combinam problemas mais conjunturais (curto prazo) e questões mais estruturais (longo prazo), um importante lembrete que tanto diagnóstico como elaboração de alternativas não pode se limitar aos problemas mais visíveis e imediatos. O esforço para combinar diagnóstico e elaboração de alternativas, articulando curto e longo prazo, é a contribuição deste livro para debates no país. Uma contribuição para tentar qualificar discussões, embasar sugestões e enriquecer a reflexão tão necessária para a superação da crise atual.
Agenda:
Alternativas para uma crise de múltiplas dimensões
LANÇAMENTO: 5 de setembro de 2018, 14h30m
Local: Bloco de Auditórios, FACE-UFMG
sábado, 4 de agosto de 2018
As mudanças nos hábitos de pagamento de contas

Cartões de débito lideram crescimento dos meios de pagamento em 2017
A participação dos cartões de débito nas transações eletrônicas aumentou em 2017. Paralelamente, ocorreu redução na quantidade de transações através de canais tradicionais e aumento de transações através de dispositivos móveis e correspondentes bancários.
Os dados fazem parte de um levantamento do Banco Central sobre o desempenho dos meios de pagamento. Os indicadores mostram a consolidação da tendência de continuidade do processo de expansão de meios alternativos de pagamento e de transferência de recursos.
Segundo o órgão, os pagamentos com o cartão concentraram 55,4% das transações eletrônicas no ano passado, contra 53,9% em 2016. Em nota, a autoridade monetária informou que a popularização dos cartões de débito é coerente com as expectativas do próprio Banco Central e do sistema financeiro, que tem procurado incentivar os pagamentos eletrônicos.
“Aumentou a participação das operações com cartões de débito, o que está em consonância com o direcionamento dado pelo BC de que o cartão de débito seja cada vez mais utilizado como instrumento de pagamento”, informou o órgão.
Os cartões de débito lideraram o crescimento entre todas as modalidades de meios eletrônicos. Segundo o BC, o número de cartões de débito ativos no Brasil aumentou de 101,283 milhões no fim de 2016 para 107,599 milhões no fim do ano passado, alta de 6,24%. O total de cartões de crédito passou de 81,97 milhões para 83,52 milhões, crescimento de 1,89%.
Em relação ao número de transações, o total de pagamentos no débito saltou de 6,8 bilhões para 7,9 bilhões em 12 meses, alta de 16,2%. O total de operações na função crédito subiu de 5,9 bilhões para 6,4 bilhões, variação de 8,5%.
Dispositivos móveis
Na classificação por canais de acesso, o levantamento do Banco Central revelou que, pela primeira vez na história, as transações de dispositivos móveis – smartphones, tablets e personal digital assistant (computadores de mão usados por atendentes) – lideraram as transações financeiras dos bancos em 2017. Até o ano anterior, o acesso remoto pelos sites das instituições financeiras (computador, home banking e office banking) concentravam as transações.
No ano passado, 24,52 milhões de transações financeiras foram realizadas por meio de dispositivos móveis, contra 20,6 milhões de transações por acesso remoto e 11,24 milhões de operações em caixas eletrônicos. Os canais tradicionais de atendimento (agências e postos de atendimentos) ficaram bem atrás, com 8,5 milhões de transações.
“De fato, ocorreu redução na quantidade de transações através de canais tradicionais e aumento de transações através de dispositivos móveis e correspondentes bancários”, comentou o BC no comunicado.
sexta-feira, 3 de agosto de 2018
TIM adota o conceito de degustação de serviços

Nova loja da operadora de telefonia TIM fortalece a adoção de conceitos do varejo do futuro
Carlos Teixeira
Radar do Futuro
Inaugurada na quinta-feira, 2 de agosto, em Belo Horizonte, a nova loja da operadora de telefonia TIM incorpora conceitos do varejo do futuro. Entre as novidades, além da eliminação completa de papeis para assumir integralmente o conceito da digitalização, o consumidor terá a possibilidade de fazer degustações de serviços, um conceito inovador no cenário de mudanças disruptivas dos ambientes de negócios.
"Já estamos habituados à ideia da degustação de produtos físicos, como os próprios aparelhos de telefone. Mas ir à loja e experimentar serviços é uma novidade", assegura Eduardo James, diretor nacional de lojas próprias da TIM Brasil. Os clientes poderão experimentar os aplicativos TIM music by Deezer, TIM Banca Virtual e o Meu TIM, disponíveis em espaço exclusivo para que os consumidores entendam como agilizar suas demandas utilizando a solução do Meu TIM.
A ideia é de que o usuário da operadora ou cliente potencial possam avaliar no local o funcionamento de um aplicativo como o da Banca Virtual representa uma tendência a ser adotada pelo varejo. Pelo serviço vinculado, a empresa oferece ao consumidor o acesso ao conteúdo de alguns dos principais veículos de comunicação do País para que ele compreenda como funciona, quais os recursos disponíveis, tendo um ambiente de apoio para a interação e o aprendizado.
Tendências incorporadas
Localizada no BH Shopping, a unidade é a 12ª da operadora neste formato no país. Ao todo, serão cerca de 60 até o fim do ano em todo o Brasil. O novo padrão traz mudanças importantes no atendimento, na estrutura, no merchandising e no design, alinhados com o novo posicionamento da marca.
Com mais atrativos para os clientes, o espaço oferece experiências e interatividade com os produtos e serviços da operadora e possui módulos específicos para fabricantes de aparelhos, lançamentos e degustação.
"Planejamos reformar e inaugurar mais lojas neste modelo em Minas. A digitalização é uma das metas da TIM para os próximos anos e as mudanças do formato físico e do atendimento dos nossos pontos de venda são essenciais para que possamos oferecer essa experiência de consumo diferenciada para nossos clientes",complementa Eduardo James, diretor nacional de lojas próprias da TIM Brasil.
O aspecto mais destacado na loja é a ausência de papeis. Não há folhetos e os atendentes estão todos municiados de tablets para interagir com os visitantes. A eliminação de papéis inclui notas fiscais físicas, cópias de documentos e formulários, com o objetivo de melhorar o processo de atendimento, que tende a ser reduzido em até 50% do tempo.
Grandes paineis fazem a divulgação dos produtos e serviços oferecidos pela operadora. Com o uso das telas "touch screen", o conceito de autosserviço ganha estímulo, em um ambiente que se propõe a ser mais limpo. Com mais atrativos para os clientes, o espaço oferece experiências e interatividade com os produtos e serviços da operadora, além de lançamentos e degustação. E promove a integração entre canais. Um cliente, em casa, pode planejar a ida à loja, e marcar um horário com um consultor.
A loja inclui bancos com estações de carregadores de celulares e wi-fi liberado para clientes e não clientes. Segundo Eduardo James, a loja cumpre um papel de educação do cliente, na medida que mostra a ele as possibilidades de um plano e coloca em sua mão aparelhos para teste. “Na loja digital, o cliente passa a ter acesso a informações que no site ele não encontra porque fica perdido no meio de tanta informação”, afirma.
terça-feira, 3 de julho de 2018
Produtividade maior não reduz a fome no mundo

Estudo mostra que o aumento de produtividade não garante redução da fome no mundo
Carlos Teixeira
Radar do Futuro
Enquanto no Brasil a Câmara dos Deputados, influenciada pelos interesses da bancada dos ruralistas, tenta eliminar restrições ao uso de produtos químicos na produção de alimentos, sob o argumento da necessidade de aumento da produtividade, um estudo da Organização das Nações Unidas revela a agricultura intensiva não necessariamente acabará com a fome no mundo. A avaliação, que na verdade contradiz políticas estabelecidas globalmente, propõe que os países devem dobrar a produtividade e a renda dos produtores de alimentos em pequena escala até 2030 para eliminar a fome e garantir que todas as pessoas tenham acesso à comida.
Fome crescente
Uma em cada nove pessoas já não tem comida suficiente, enquanto a população mundial caminha para chegar a 9,8 bilhões em 2050. E a fome no mundo aumenta constantemente desde 2014. Martin e uma equipe de pesquisadores internacionais analisaram 53 estudos sobre agricultura intensiva em países de baixa e média renda e encontraram poucos benefícios para os agricultores pobres e para o meio ambiente.Adaptação forçada
A agricultura intensiva pode aumentar a produção a curto prazo, mas reduzi-la a longo prazo, porque a intensificação frequentemente enfraquece as condições subjacentes vitais para o crescimento, disse Martin. "Ela também substitui o conhecimento local complexo por uma abordagem "tamanho único", disse em comunicado à Fundação Thomson Reuters a Alliance for Food Sovereignty, na África.
"A experiência na África mostra que esse caminho leva à pobreza, a problemas de saúde, a um ambiente degradado, a empreendimentos comerciais de alto risco, à perda de biodiversidade e à resiliência enfraquecida", acrescentou.
Neutralização da visão complexa
segunda-feira, 2 de julho de 2018
Consumidores não querem carros autônomos, diz estudo do MIT

Quase 48% das pessoas disseram em pesquisa que jamais comprariam um veículo autônomo
Zeninjor Enwemeka
Wbur
Empresas de tecnologia e montadoras estão gastando bilhões para conseguir carros autônomos nas estradas. Mas acontece que as pessoas realmente não as querem, de acordo com um novo estudo do MIT .
