sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Por que assistentes administrativos têm alto risco de extinção?

Os empregos dos assistentes administrativos têm 96% de chance de desaparecer nos próximos anos por conta dos avanços da automação e mudanças do sistema produtivo - foto: Camila Domingues -Palácio-Piratini
Os empregos dos assistentes administrativos têm 96% de chance de desaparecer nos próximos anos por conta dos avanços da automação e da quarta revolução industrial

Carlos Teixeira
Jornalista I Futurista





Eles são muitos. Mais exatamente, com 4,69 milhões de pessoas, a atividade lidera o ranking de categorias com o maior número de trabalhadores no Brasil. E são numerosos  em outras partes do planeta. Mesmo que não tenham qualquer consciência sobre o futuro, estão pressionados por ameaças crescentes de morrer. A sobrevivência está por um fio.





Estamos falando dos auxiliares administrativos, grupo de alto risco no mercado de trabalho. Nos próximos anos, seus trabalhadores tendem a sofrer fortemente o impacto das mudanças no ambiente econômico que vem cortando empregos pelo mundo. Transformações puxadas especialmente pelas tecnologias. Mas também por novas propostas de gestão e por prioridades públicas e privadas. Segundo o relatório intitulado "O Futuro do Emprego: Quão suscetíveis são os empregos para a informatização?", a função tem uma probabilidade de 96% de desaparecer nos próximos anos, por conta da influência crescente de inovações como a automação de serviços.





Na prática, o corte do número de assistentes administrativos já está sendo efetivado em instituições de todos os tipos e tamanhos. Mesmo o setor público, que representa 26% das contratações totais dos trabalhadores, tem claramente reduzido os seus contingentes. Em alguns setores do Judiciário, os concursos para contratação de novos funcionários estão suspensos, enquanto são reforçados os investimentos em informatização de atividades.





O principal problema enfrentado por esses empregados de apoio nas organizações privadas e públicas é a definição da atividade como tipicamente marcada por rotinas.  Uma das muitas descrições disponíveis na internet diz que auxiliar administrativo "prestar apoio na área administrativa de uma empresa, auxiliando o administrador em suas tarefas rotineiras e no controle da gestão financeira, administração e organização de arquivos, gerência de informações e revisão de documentos, entre outras atividades."





Interesses econômicos





Imagine os funcionários próximos de você e pense se é possível descrever facilmente suas atividades. Processos descritos por ações simples, como controle de contas e de estoques, pagamento e emissão de notas, atendimento de telefones e a clientes são alvos fáceis para os especialistas em desenvolvimento de sistemas informatizados.





Rotinas, em síntese, atraem os profissionais da área de ciência da computação interessados em desenvolver novos produtos capazes de aumentar os ganhos empresariais com a redução dos custos de produção. Considere a intensificação  da busca por produtividade como uma das principais forças do futuro no cenário de competição da nova economia, comandada pela informatização de tudo.





Investir em automação de processos gerenciais será uma questão de sobrevivência para as empresas nos próximos anos. A perspectiva de aumento do número de desempregados e o aumento da concentração de renda e da miséria, como um fenômeno global, reconhecido pelo Fórum Econômico Mundial, vão forçar as empresas a reduzir ao máximo aos custos para dar conta de competir nos mercados locais.





Quem não produzir mais com menor número de empregados estará fadado a perder competitividade. E os empregos com maior qualificação tendem a ser preservados, enquanto funções de apoio vão sendo cortadas. Assim, mesmo em uma indústria, haverá mais engenheiros industriais, com forte formação em programação, do que  auxiliares para providenciar reposição de peças, atividade potencialmente automatizável.





Brasil: mudanças lentas





No Brasil, por questões sociais, econômicas e sociais específicas, a velocidade de substituição  de humanos por sistemas e máquinas pode ser mais lenta do que em outras partes do mundo. O baixo custo da mão-de-obra no país tende a contribui para a possibilidade de transferir para alguém, um assistente contratado, fazer por você, empresário ou chefe de departamento, aquilo que você mesmo poderia fazer.





Custo de mão-de-obra é uma variável que joga a favor preservação e da continuidade da existência de empregos dos assistentes administrativos nos próximos anos. Pelo menos no curto prazo. Imagine a situação em que o empresário considere razoável remunerar um funcionário para receber, organizar e encaminhar documentos. Então, tudo bem, o trabalhador e sua função estarão preservados. Mas, em tese, hoje, já é possível automatizar quase integralmente as funções dos trabalhadores do segmento.





Como sobreviver





Compreender, atualizar competências e antecipar tendências são expressões definidoras das prioridades que devem ser levadas em conta por assistentes administrativos interessados assegurar oportunidades de trabalho no cenário do mercado de trabalho dos próximos anos. O trabalhador acomodado, que acredita que não time que está vencendo, pode ser surpreendido a qualquer momento.





Empregados dos departamentos de administração devem entender que múltiplas mudanças estão ocorrendo ao mesmo tempo, muito além de fatores tecnológicos. Há um novo cenário se consolidando -- consolidando, veja bem -- sob a influência da denominada quarta revolução industrial. O resultado das transformações profundas será um "novo normal", um padrão de funcionamento diferente do modelo herdado do século passado, formador das escolas de gestão.





As relações de trabalho estão mudando, assim como uma nova ética do sistema produtivo e mudanças nas relações de trabalho, que estimulam a precariedade e a flexibilidade de vínculos empregatícios. Além de fatores demográficos, como o envelhecimento da população e, inclusive, mudanças climáticas e ambientais. Compreender a complexidade do funcionamento da sociedade será cada vez mais necessário. 





A compreensão da realidade e de si próprio é a etapa necessária para a busca por atualização de conhecimentos. Não é à toa que o mesmo Fórum Econômico Mundial citado acima defende que espírito crítico e capacidade de resolução de problemas complexos são habilidade determinantes na formação dos profissionais que desejam ter oportunidades futuras de trabalho. 





Espírito crítico é necessário, inclusive, para compreender que as soluções não serão simples. Não basta, por exemplo, considerar que a mera atualização tecnológica seja suficiente para abrir oportunidades. A competência do uso de ferramentas de informática tradicionais não será suficiente. Não basta aprender a lidar com planilhas e processadores de textos.





O auxiliar administrativo deve compreender que seus principais "concorrentes" são recursos como a inteligência artificial, assistentes virtuais e aplicativos gerais de gestão, que viabilizam a digitalização dos serviços. A visão estratégica, antecipatória, é essencial nesse processo, inclusive para dar conta de transformar as tecnologias de concorrentes em ferramentas de trabalho. O que apenas reforça o tamanho do desafio a ser enfrentado pela categoria.





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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Futuro do turismo: três forças que impulsionarão o setor

Ao invés de enfraquecer, as tecnologias tendem a fortalecer o turismo nas próximas décadas - foto: Pixabay
Ao invés de enfraquecer, as tecnologias tendem a fortalecer o turismo nas próximas décadas - foto: Pixabay

Radar do Futuro





As pessoas nunca viajaram tanto quanto hoje. Para Tiffany Misrahi, especialista do Fórum Econômico Mundial, entender a realidade, os indicadores das demandas e as perspectivas futuras será essencial para o mercado turístico. A tendência é de continuidade de crescimento, mesmo que as tecnologias criem novos recursos que, em tese, concorram com os meios tradicionais de turismo, de todos os tipos.





Mais de quatro bilhões de pessoas transitaram pelo ar em 2017. Ao mesmo tempo, os viajantes nunca foram tão exigentes. "Os turistas querem tudo, e de forma imediata", avalia Misrahi. "Esperamos velocidade, autenticidade, personalização, perfeição e segurança."





Ele reconhece que,  para atender a essas altas expectativas, a tecnologia é essencial. As inovações já reformularam a maneira como trabalhamos, vivemos e nos comportamos, e continuaremos a fazê-lo. Revolucionou a forma como pesquisamos, analisamos, selecionamos e vivenciamos viagens. Considere a mudança para o celular e seu cartão de embarque digital.





Aqui estão três megatendências em tecnologia e viagens que poderiam transformar a indústria, segundo Tiffany Misrahi:





1) Feito para você





À medida que a automação aumenta, o quanto você faz (DIY) em comparação com o quanto é feito para você (DFY) vai mudar. Graças aos avanços na IA, a automação não está mais limitada a tarefas físicas. Estamos automatizando os processos mentais. Embora a automação já tenha ocorrido no final da viagem, do estoque à reserva e do pessoal às transações, a IA não vai parar por aí. Considere o potencial em viagens com personalização automatizada do tipo que experimentamos na Amazon. Poderíamos ter recepcionistas digitais como Siri e Alexa, mas para viagens ou até carros autônomos.





À medida que a IA e a automação transformam a sociedade e se tornam cada vez mais difundidas, precisamos considerar os possíveis benefícios e armadilhas, para que possamos abordar proativamente a última. Por exemplo, como os carros autônomos irão remodelar a infraestrutura de transporte? O que essa mudança significa para os aeroportos que dependem de estacionamento para mais de 40% de suas receitas? Da mesma forma, à medida que certas tarefas são automatizadas, como o setor de viagens identificará os funcionários nos cargos mais "em risco" e facilitará sua transição para novos empregos de qualidade, treinando-os novamente com diferentes conjuntos de habilidades?





Acredito que a indústria continuará impulsionando a criação de empregos e que a automação precipitará uma mudança de tarefas centradas em dados para mais funções que envolvam interação humana, criando experiências únicas e memoráveis ​​para os clientes.





2) Experiências sem filtros





Em um mundo repleto de informações, muitas das quais são difíceis de confiar, as pessoas querem experiências não filtradas que as inspirem. Hoje, estamos vendo viagens inteiramente novas, desde embarcações que reproduzem expedições até a descoberta do Ártico, até agências de butiques que oferecem férias "surpresa" ao turismo espacial, com a Virgin Galactic planejando iniciar voos no final de 2018.





Paradoxalmente, o conteúdo de realidade virtual e aumentada pode ampliar o acesso a essas experiências exclusivas e exclusivas. Ele pode oferecer aos clientes um test-drive antes de pagar um preço premium.





A maioria das pessoas não pode comprar lugares na primeira fila para o final de um campeonato nacional ou voar dentro de um vulcão ativo. Mas a RV pode recriar essas experiências virtualmente sem nenhum custo. Ao criar conteúdo 3D de 360 ​​graus, para mostrar uma experiência ou uma marca, os usuários estão mais dispostos a confiar e acreditar na autenticidade do produto.





Assim como a videoconferência não foi um substituto para o contato face a face nos anos 90, não acredito que a RV substitua as viagens. Em vez disso, inspirará as pessoas a descobrir o mundo ou até mesmo a descobrir lugares que não existem mais, como o Egito, na época dos faraós. Mas a RV forçará as marcas e os destinos a serem honestos sobre sua proposta de valor, porque os viajantes continuarão compartilhando suas experiências com sua rede nas redes sociais.





3) Blockchain





Blockchain e, especificamente, criptomoedas, foram a moda em 2017. Esta tecnologia nascente, que permite o armazenamento descentralizado e seguro e compartilhamento de informações, tem o potencial de aumentar a confiança, minimizando o atrito e a corrupção. Além das finanças, a tecnologia blockchain - ou ledger distribuído - tem o potencial de ser aplicada em uma variedade de outros campos.





Uma dessas áreas é a segurança de viagens e, mais especificamente, a biometria, dada a necessidade de verificar a identidade dos indivíduos quando eles cruzam fronteiras internacionais. Embora a biometria seja apenas uma peça do quebra-cabeça para se obter viagens transfronteiriças seguras e perfeitas, essa tecnologia pode fazer uma diferença real. Estabelecer inclusividade, interoperabilidade, escalabilidade e financiamento será essencial.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Agenda 2030: objetivos devem ser abandonados

Prioridades do governo tendem a provocar abandono das metas de combate à pobreza no Brasil - foto: Rede Brasil Atual

Carlos Teixeira
Radar do Futuro





O Brasil passará nos próximos anos por um processo de rompimento profundo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o acordo coordenado pela Organização das Nações Unidas (ONU) que, em 2015, definiu 17 objetivos e 169 metas para que os países garantam a melhora dos padrões de vida no planeta até o ano 2030. As iniciativas que vinham sendo desenvolvidas por organizações privadas e públicas brasileiras, segundo o movimento global, tendem a ser afetadas por cortes de recursos para a saúde e educação, restrições de investimentos públicos em serviços e infraestrutura e eliminação de programas sociais e ambientais, em confronto com a prioridade para o pagamento de dívidas com bancos.





Assinada por 193 países, a Agenda 2030 assume a premissa de que o desenvolvimento sustentável é aquele que consegue atender às necessidades da geração atual sem comprometer a existência das gerações futuras. Partindo da constatação de que indicadores econômicos, sociais e ambientais são pessimistas quanto ao futuro das próximas gerações, o programa coordenado pela ONU propõe ações de combate à pobreza, de eliminação da fome e de redução da desigualdade social, além de iniciativas de promoção de crescimento que preservem a qualidade de vida e assegurem o combate aos efeitos das mudanças climáticas.





Acontecimentos recentes justificam as previsões pessimistas. Durante o processo eleitoral, o presidente eleito Jair Bolsonaro chegou a demonstrar animosidade em relação à entidade que promove a integração de governos do planeta. Segundo matérias publicadas pela imprensa, em uma solenidade no dia 18 de agosto, na Academia Militar das Agulhas Negras, ele afirmou que “se eu for presidente saio da ONU, não serve para nada esta instituição”.





Como recurso da estratégia de gerar polêmicas, o então candidato assegurou que a “ONU é uma reunião de comunistas, de gente que não tem qualquer compromisso com a América Latina”. Dois dias depois, relativizou a afirmação, também coerente com as estratégias eleitorais de criar factóides. Segundo ele, foi um “ato falho” e que jamais pensou em sair da ONU. O estrago estava feito, deixando dúvidas no ar. Porém, poucas dúvidas sobre o que ele pensa de fato.





Mesmo entre afirmações e negativas, os discursos e mensagens confirmam sinais de que as perspectivas de afastamento dos objetivos globais são reais. Alguns já começaram a se consolidar desde a entrada do governo de Michel Temer que, em 2016, conseguiu que fosse instituído o Novo Regime Fiscal, a limitação dos gastos públicos do governo. As prioridades de política econômica serão absolutamente as mesmas. Cortes em programas sociais e a ausência de foco no crescimento econômico têm, como consequência, a perspectiva de continuidade do crescimento da pobreza extrema no país no próximo ano. Contrariando o objetivo de buscar estratégias que visam acabar com a miséria em todas as suas formas, em todos os lugares, prioritário e primeiro, da Agenda 2030.





Outro tema central entre os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável, a educação para todos também tende a sofrer um revés importante, sinal de outros problemas que poderão vir pela frente. Em sintonia com o pensamento predominante no momento histórico do país, o Senado brasileiro acabou de aprovar uma proposta que corta pela metade uma das fontes de recursos do Fundo Social do Pré-Sal, destinado a investimentos em saúde e educação.





Não bastassem os cortes, as propostas do futuro governo para a área são extremamente vagas e frustrantes para quem busca qualidade, destacando o uso indiscriminado de educação a distância ou mudanças curriculares para introduzir o conceito de “escola sem partido”, uma visão limitante do papel do ensino.





Desregulamentação do trabalho





O quadro negativo prossegue com o anúncio da intenção do futuro governo de acabar com o Ministério do Trabalho. A proposta, se mantida, vai garantir impactos diretos sobre outros objetivos importantes acordados na Agenda 2030. Por exemplo, o foco na promoção do crescimento sustentável, que pretende oferecer trabalho decente, esbarra na perspectiva de aumento da degradação do ambiente de produção e das relações entre empregados e empregadores. A desestruturação das equipes de fiscalização, uma consequência possível com a desarticulação do setor público, vai coincidir com o momento em que a reforma trabalhista estimula a informalidade das relações entre compradores e vendedores de força humana.  





Atualmente, no Brasil, 35 milhões de pessoas desempenham alguma atividade informalmente. Empregos sem carteira assinada são 11,5 milhões, enquanto os autônomos, os que se viram por conta própria, são 23,5 milhões. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE, apontam que a lenta redução do desemprego no país, na questionável recuperação do ambiente interno, é o resultado das relações precárias que vão ganhando força no cenário da produção. É a informalidade que reduz o desemprego, não empregos de qualidade.





O anúncio da futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina, do DEM do Mato Grosso do Sul, é a garantia de cortes em prioridades para o combate ao objetivo de “acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável”. Coordenadora da Frente Parlamentar da Agricultura na Câmara dos Deputados, ela é apontada pela oposição como “musa do veneno” por conta de propostas que flexibilizam o uso de produtos químicos nas lavouras. Além de defensora de grandes produtores de commodities.





Focada no desenvolvimento do agronegócio exportador, a ministra não deve dar continuidade para “programas e políticas que priorizem os pequenos agricultores, incluindo mulheres e povos indígenas, de modo a aumentar a renda de suas famílias”, segundo o item dois da lista dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável definidos pela ONU. A possibilidade de uma integração entre o Ministério da Agricultura com setores responsáveis pelos cuidados com o meio ambiente tende a agravar o cenário de produção de alimentos nos próximos anos.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Nobel Stiglitz: por que temer a inteligência artificial?

Para o economista Joseph Stiglitz, todas as piores tendências do setor privado, capazes de tirar proveito das pessoas, são intensificadas pela inteligência artificial - foto: The Guardian
Para o economista Joseph Stiglitz, todas as piores tendências do setor privado, capazes de tirar proveito das pessoas, são intensificadas pela inteligência artificial - foto: The Guardian

Radar do Futuro





Ganhador do Prêmio Nobel e ex-economista-chefe do Banco Mundial, Joseph Stiglitz se integra ao grupo de pensadores e cientistas que lançam um olhar preocupado em relação aos impactos futuros da inteligência artificial. Há gente de peso na turma dos céticos. Como os bilionários da tecnologia Bill Gates, da Microsoft, Elon Musk, da Tesla, o historiador Yuval Noah Harari e o futurista Gerd Leonhard. E o falecido Stephen Hawking. Para todos, a inteligência artificial ameaça a existência de nossa civilização.





Para a publicação inglesa The Guardian, deve ser difícil para Joseph Stiglitz permanecer otimista diante de um possível futuro sombrio. Ele anda pensando cuidadosamente em como a inteligência artificial afetará nossas vidas. O raciocínio de viés otimista assinala a crença na possibilidade de construção de uma sociedade mais rica, que inclua a adoção de uma semana de trabalho mais curta. "Mas há inúmeras armadilhas para evitar no caminho", ele assinala.





"As questões que Stiglitz tem em mente não são triviais", atesta a publicação. O economista se preocupa com as ações que levam a impactar as rotinas em nossas vidas diárias, que deixam a sociedade mais dividida do que nunca, e ameaçam os fundamentos da democracia. "A inteligência artificial e a robotização têm o potencial de aumentar a produtividade da economia e, em princípio, isso poderia melhorar a situação de todos", diz ele. "Mas só se eles forem bem administrados."





Uma distinção que Stiglitz faz é entre a IA, que substitui os trabalhadores e a IA que ajuda as pessoas a fazerem melhor o seu trabalho. A tecnologia cognitiva já auxilia os médicos a trabalhar de forma mais eficiente. No hospital de Addenbrooke, em Cambridge, por exemplo, os especialistas em câncer gastam menos tempo do que costumavam para planejar radioterapia para homens com câncer de próstata. O aumento de eficiência é propiciado por um sistema de IA chamado InnerEve. Ele identifica automaticamente a glândula nos exames dos pacientes, possibilitando a antecipação dos tratamentos.





Nem tudo é mágico





Para outros especialistas, a tecnologia é mais uma ameaça. IAs bem treinados agora são melhores em identificar tumores de mama e outros tipos de câncer do que radiologistas. Isso significa desemprego generalizado para os radiologistas? Stiglitz atesta que não é tão fácil. "Ler um exame de ressonância magnética é apenas parte do trabalho que a pessoa realiza, mas você não pode facilmente separar essa tarefa das outras."





É verdade que alguns trabalhos podem ser totalmente substituídos. Na maioria das vezes, são funções pouco qualificadas: caminhoneiros, caixas e trabalhadores do call center, entre outras. Mais uma vez, no entanto, Stiglitz vê razões para ser cauteloso sobre o que isso significará para o desemprego geral. Há uma forte demanda por trabalhadores não qualificados na educação, no serviço de saúde e no atendimento aos idosos. 





"Se nos preocupamos com nossos filhos, se nos preocupamos com nossos idosos, se nos preocupamos com os doentes, temos muito espaço para gastar mais com eles", diz Stiglitz. Se a IA assumir certos empregos não qualificados, o golpe poderia ser amenizado com a contratação de mais pessoas para a saúde, a educação e o trabalho de assistência e pagando-lhes um salário decente, diz ele.





Informações imperfeitas





Stiglitz ganhou o prêmio Nobel de economia em 2001 por suas análises de informações imperfeitas nos mercados. Um ano depois, publicou Globalization and Its Discontents, um livro que desnudou sua desilusão com o Fundo Monetário Internacional - a organização irmã do Banco Mundial - e, por extensão, o Tesouro dos EUA. 





As negociações comerciais, argumentou ele, eram conduzidas por multinacionais às custas de trabalhadores e cidadãos comuns. “O que eu quero enfatizar é que é hora de focar nas questões de políticas públicas que envolvem a IA, porque as preocupações são uma continuação das preocupações que a globalização e a inovação nos trouxeram. Nós demoramos para entender o que eles estavam fazendo e não devemos cometer esse erro novamente. ”





Além do impacto da IA ​​no trabalho, Stiglitz vê forças mais insidiosas em jogo. Armadas com inteligência artificial, as empresas de tecnologia podem extrair significado dos dados que entregamos quando pesquisamos, compramos e enviamos mensagens para nossos amigos. A tecnologia é usada ostensivamente para oferecer um serviço mais personalizado. Essa é uma perspectiva. Outra é que nossos dados são usados ​​contra nós.





“Esses novos gigantes da tecnologia estão levantando questões muito profundas sobre privacidade e a capacidade de explorar pessoas comuns que nunca estiveram presentes em épocas anteriores”, diz Stiglitz ao The Guardian. O poder dos monopólios está no centro do jogo. “De antemão, você poderia aumentar o preço. Agora você pode segmentar indivíduos particulares explorando suas informações. ”





Manipulação de dados





É o potencial de combinação de conjuntos de dados que mais preocupa Stiglitz. Por exemplo, os varejistas agora podem rastrear os clientes por meio de seus smartphones enquanto se deslocam pelas lojas e podem coletar dados sobre o que chama a atenção e quais exibições passam direto por eles.





“Nas suas interações com o Google, o Facebook , o Twitter e outros, eles coletam uma enorme quantidade de dados sobre você. Se esses dados são combinados com outros dados, então as empresas têm uma grande quantidade de informações sobre você como um indivíduo - mais informações do que você tem em si mesmo ”, diz ele.





“Eles sabem, por exemplo, que as pessoas que pesquisam dessa maneira estão dispostas a pagar mais. Eles conhecem todas as lojas que você visitou. Isso significa que a vida vai ser cada vez mais desagradável, porque a sua decisão de comprar em uma determinada loja pode resultar em você pagar mais dinheiro. Na medida em que as pessoas estão cientes desse jogo, ele distorce seu comportamento. O que está claro é que isso introduz um nível de ansiedade em tudo o que fazemos e aumenta ainda mais a desigualdade ”.





Stiglitz coloca uma questão uma suspeita um dilema possível, de cunho interno, das empresas de tecnologia. “Qual é a maneira mais fácil de ganhar dinheiro: descobrir uma maneira melhor de explorar alguém ou criar um produto melhor? Com a IA, parece que a resposta é encontrar uma maneira melhor de explorar alguém ”.





Interferência em eleições





Publicada antes das eleições no Brasil, recheada de casos de manipulações de informações, com o uso do WhatsApp, a matéria do The Guardian destaca as revelações ​​sobre como a Rússia recorreu ao Facebook, Twitter e Google para interferir na eleição de 2016 nos Estados Unidos. O texto reconhece que as pessoas podem ser direcionadas com mensagens sob medida. 





Stiglitz está preocupado que as empresas estejam usando, ou usem, táticas similares para explorar seus clientes, em particular aqueles que são vulneráveis, como compradores compulsivos. "Ao contrário de um médico que pode nos ajudar a gerenciar nossas fragilidades, seu objetivo é tirar o maior proveito possível de você", diz ele. "Todas as piores tendências do setor privado em tirar proveito das pessoas são intensificadas por essas novas tecnologias."





Até agora, argumenta Stiglitz, nem os governos nem as empresas de tecnologia fizeram o suficiente para evitar tais abusos. "O que temos agora é totalmente inadequado", diz ele. "Não há nada para circunscrever esse tipo de comportamento ruim e temos evidências suficientes de que há pessoas dispostas a fazê-lo, que não têm nenhum remorso moral".





Nos Estados Unidos, em particular, houve uma disposição de deixar as empresas de tecnologia para adotar regras decentes de comportamento e aderir a elas, acredita Stiglitz. Uma das muitas razões é que a complexidade da tecnologia pode tornar os regulamentos intimidantes. "Isso sobrecarrega muitas pessoas e sua resposta é: 'Não podemos fazer isso, o governo não pode fazer isso, temos que deixar para os gigantes da tecnologia'".





Mas Stiglitz acha que essa visão está mudando. Há uma consciência crescente de como as empresas podem usar os dados para atingir os clientes, acredita ele. “Inicialmente, muitos jovens consideravam que não tenho nada a esconder: se você se comporta bem, do que tem medo? As pessoas pensavam: "Que mal há nisso?" E agora eles percebem que pode haver muito dano. Acho que uma grande fração dos americanos não dá mais às empresas de tecnologia o benefício da dúvida ”.





Então, como podemos voltar aos trilhos? As medidas propostas por Stiglitz são amplas e é difícil ver como elas poderiam ser incorporadas rapidamente. A estrutura regulatória deve ser decidida publicamente, diz ele. Isso incluiria os dados que as empresas de tecnologia podem armazenar; que dados eles podem usar; se eles podem mesclar diferentes conjuntos de dados; as finalidades para as quais eles podem usar esses dados; e que grau de transparência devem fornecer sobre o que fazem com os dados. 





"Estas são todas as questões que precisam ser decididas", diz o economista. “Você não pode permitir que os gigantes da tecnologia façam isso. Tem que ser feito publicamente com uma consciência do perigo que as empresas de tecnologia representam. ” Para Stiglitz, novas políticas são necessárias para reduzir os poderes de monopólio e redistribuir a imensa riqueza que está concentrada nas principais empresas de IA. 





Em setembro, a Amazon se tornou a segunda empresa, depois da Apple, a atingir uma valorização de mercado de US $ 1 trilhão . As duas valem, agora, mais do que as 10 maiores companhias de petróleo juntas. "Quando você tem muita riqueza concentrada nas mãos de relativamente poucos, você tem uma sociedade mais desigual e isso é ruim para a nossa democracia", diz Stiglitz.





Os impostos não são suficientes. Para Stiglitz, trata-se de poder de barganha trabalhista, direitos de propriedade intelectual, redefinição e aplicação de leis de concorrência, leis de governança corporativa e a maneira como o sistema financeiro opera. "É uma agenda muito mais ampla do que apenas redistribuição", diz ele.





Renda básica universal





Ele não é um fã da renda básica universal , uma proposta sob a qual todos recebem um dinheiro para cobrir os custos de vida. Defensores argumentam que, à medida que as empresas de tecnologia ganham cada vez mais riqueza, a renda pode ajudar a redistribuir os lucros e garantir que todos se beneficiem. Mas, para Stiglitz, isso é apenas uma desculpa. Ele não acredita que é o que a maioria das pessoas quer.





“Se não mudarmos nosso quadro geral de políticas e economias, o que estamos buscando é uma maior desigualdade salarial, maior desigualdade de renda e riqueza e, provavelmente, mais desemprego e uma sociedade mais dividida. Mas nada disso é inevitável ”, diz ele. “Ao mudar as regras, poderíamos acabar com uma sociedade mais rica, com os frutos mais igualmente divididos, e possivelmente onde as pessoas têm uma semana de trabalho mais curta. Passamos de uma semana de trabalho de 60 horas para uma semana de 45 horas e poderíamos ir para 30 ou 25 ”.





Nada disso vai acontecer durante a noite, ele adverte. Um debate público mais robusto em torno da IA ​​e do trabalho é necessário para lançar novas idéias, para começar. "O Vale do Silício pode contratar uma fração desproporcional [de pessoas que trabalham na IA], mas pode não ser preciso muita gente para descobrir, incluindo pessoas do Vale do Silício, que ficaram descontentes com o que está acontecendo", diz ele. “As pessoas já começaram a pensar em novas ideias. Haverá pessoas com habilidades que tentam encontrar soluções. ”





Com informações de
https://www.theguardian.com/technology/2018/sep/08/joseph-stiglitz-on-artificial-intelligence-were-going-towards-a-more-divided-society

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Empresários mineiros buscam negócios em Portugal

Empresários de Minas Gerais estão em Lisboa (Portugal) participando da Feira Web Summit, maior evento tecnológico do ano. A expectativa é que as empresas realizem parcerias e negócios de pelo menos US$ 3 milhões.





Quarenta e três empresários e representantes de startups participam da missão, entre eles o o diretor da FIEMG, Fábio Sacioto e o presidente do Sindicato da Indústria de Software e da Tecnologia da Informação do estado de Minas Gerais (SINDINFOR), Wellington Teixeira.





Para o presidente do Sindinfor, esse é o momento para investir ou expandir os e negócios. “Portugal é a porta de entrada para a comunidade europeia. Nossas empresas podem se unir a deles para produzir e exportar, fazer um grande consórcio, para atender as demandas. Essa janela é breve e os próximos dois ou três anos serão decisivos”, reforçou Wellington Teixeira.





“Hoje, a tecnologia está nos veículos em vários equipamentos como em itens de segurança, gestão de energia, carros híbridos, autônomos. Vejo que a tecnologia está no processo e nos produtos. Achei importante participar dessa missão liderada pelo setor de TI porque as inovações permeiam todos os tipos de indústrias”, diz o diretor da FIEMG, Fábio Sacioto.





Durante o Seminário “Apresentação das Oportunidades de Negócios e Parcerias entre Brasil e Portugal” houve discussões em painéis envolvendo um overview sobre as ações e oportunidades para o desenvolvimento do cenário de TI em Portugal, o cenário de empreendedorismo de TI em Lisboa, incentivos para empresários estrangeiros investirem no país e o papel da Embaixada Brasileira.





O CEO da Salaryfits, Alvaro Amorim, falou sobre a experiência e oportunidade de internacionalização em Portugal. A Salaryfits é uma plataforma que permite às instituições financeiras integrar os seus sistemas com as informações dos recibos de vencimento das entidades empregadoras (públicas ou privadas), proporcionando acesso a uma nova ferramenta de avaliação de risco, bem como a possibilidade de deduzir parcelas diretamente de um salário.





Com informações da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais - Fiemg

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Economia sustentável: Precisamos rever nossos conceitos

Economia deve ser transformada para se tornar sustentável, diz designer francês Philippe Starck - foto: ONU Meio Ambiente
Economia deve ser transformada para se tornar sustentável, diz designer francês Philippe Starck - foto: ONU Meio Ambiente

ONU Meio Ambiente





Que critérios um produto deve atender para ser realmente “sustentável”? Como nossos lares serão no futuro? E como nossa economia deve mudar para as pessoas e o planeta?





Em uma entrevista exclusiva para a ONU Meio Ambiente, o renomado inventor, arquiteto e designer francês Philippe Starck compartilha sua visão sobre como seria um futuro sustentável.





Starck supervisionou 10 mil criações em seu país natal e no mundo todo, de mobília, termostatos inteligentes e bicicletas elétricas a casas pré-moldadas de madeira e edifícios. Ele acredita em “fazer mais com menos” e em criar objetos que ajudem a melhorar nossas vidas enquanto abraçam a natureza.





O conceito de propriedade pode desaparecer





No futuro, o conceito de propriedade pode desaparecer e ser substituído por uma economia do aluguel, acredita o designer. “Alguém que pega emprestado tem a responsabilidade de devolver o produto. Alguém que vende não tem essa responsabilidade – ele pode não se importar se um produto é reciclado ou não, por exemplo”, argumenta Starck.





“Nossa economia deve ser completamente transformada, uma vez que nosso planeta está sendo degradado a uma velocidade muito mais rápida do que jamais vimos”, diz.





Starck também acredita que podemos abrir mão de “cerca de 70%” de toda a mobília que usamos atualmente em nossas casas. “Nossas cortinas podem ser substituídas por um cristal de vidro líquido, enquanto a tinta pode ser eletroluminescente”, sugere.





“Não venderemos produtos, mas sim serviços integrados a produtos”, afirma. Segundo ele, a sociedade pode, entretanto, se dividir entre pessoas que escolhem comprar mais alimentos e roupas mais sustentáveis e aqueles que seguem a indústria de massa.





Surpreendentemente, o inventor prefere o uso de materiais sintéticos aos naturais para seu próprio trabalho, o que inclui design de interiores de hotéis como o Brach – um de seus projetos mais recentes em Paris.





“Materiais sintéticos nascidos da genialidade humana quase sempre têm um melhor desempenho”, argumenta, completando que “preferiria trabalhar com alguém que usa plásticos totalmente rastreáveis a alguém que derruba árvores”.





Reciclagem não é a solução





Para produtos serem chamados de sustentáveis, Philippe Starck acredita que eles não devem apenas recicláveis e usar o mínimo de materiais naturais e energia, mas devem também ser “politicamente justos” e favorecer a igualdade de gênero.





“Hoje, 80% dos produtos são ‘machos’. Se não for ‘macho’, não vende”, diz Starck.





O designer acredita que os consumidores devem querer viver com os produtos que compram, e não jogá-los fora por capricho. Ele considera que a indústria da moda traz “vergonha” à nossa sociedade de consumo por criar novas tendências muitas vezes ao ano. Também destaca que “antes de pensar em sustentabilidade, a primeira questão deve ser: eu realmente preciso desse produto?”.





Quando se trata do fim da vida de um produto, Starck alerta que “reciclagem não é a solução”. “Reciclagem só foi inventada para que pudéssemos continuar consumindo com a consciência tranquila. A realidade é que menos de 20% dos materiais usados em bens de consumo podem ser reciclados, já que isso requer condições especiais”.





Está em nosso DNA construir e criar





“O capitalismo não é adequado para o futuro. Ele depende de crescimento e produção, e nós não podemos produzir mais”, diz o designer.





Starck ilustra esse ponto pedindo cautela em relação às alternativas ao plástico. “Muitas alternativas biodegradáveis são feitas de coisas que as pessoas podem comer. Está fora de questão que comida deva ser sacrificada para fazer uma cadeira, por exemplo. Mesmo alternativas como linhaça ou cânhamo tomam espaço de plantação que poderia estar sendo usado para cultivar alimentos”, diz.





Apesar disso, o designer acredita que nós não devemos buscar refrear o instinto humano de criação. “A diferença entre nós humanos e outros animais é que somos criadores. Está em nosso DNA construir e criar – não podemos ir contra isso. A solução pode, então, ser um tipo de ‘decrescimento positivo’, onde decrescemos nossa produção enquanto aumentamos nossa criatividade”.





Clique aqui para ler a entrevista completa (em francês).

Perdas geradas pelo clima vão ser aceleradas, diz a ONU

Novo relatório da ONU alerta para perspectiva de aumento dramático das perdas econômicas provocadas por desastres - foto- Unesco
Novo relatório da ONU alerta para perspectiva de aumento dramático das perdas econômicas provocadas por desastres - foto: Unesco

ONU





Os desastres climáticos e geofísicos, como terremotos e tsunamis, mataram 1,3 milhão de pessoas nos últimos 20 anos e deixaram mais 4,4 bilhões de feridos, desabrigados ou em necessidade de ajuda de emergência, disseram especialistas da ONU na quarta-feira, 10 de outubro.





As descobertas, publicadas pelo Escritório da ONU para Redução de Risco de Desastres (UNISDR), também mostraram que as pessoas em países de renda baixa e média têm sete vezes mais probabilidade de morrer devido a desastres naturais do que nos países desenvolvidos.





“Isso coloca uma grande ênfase na necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa”, disse Ricardo Mena, chefe da UNISDR, apoiando e monitorando a implementação da Estrutura de Sendai.





Deixar de fazer isso elevará o risco de danos relacionados ao clima saírem do controle, disse ele a jornalistas em Genebra, antes de pedir um maior investimento em medidas de redução de risco de desastres, “para que os países não criem novos riscos”.





Em termos do impacto de desastres na economia global entre 1998 e 2017, os países afetados relataram perdas diretas de 2,908 trilhões de dólares. Isso é mais do que o dobro do que foi perdido nas duas décadas anteriores.





Ilustrando a crescente ameaça da mudança climática, os eventos climáticos extremos agora representam 77% do total das perdas econômicas, 2,245 trilhões de dólares, observa o relatório.





Isso representa um “aumento dramático” de 151% em comparação com as perdas registradas entre 1978 e 1997, que somaram 895 bilhões de dólares.





Países pobres mais vulneráveis, mais atingidos





A crescente vulnerabilidade a desastres por parte dos países mais pobres é ilustrada pelo fato de que, nos últimos 20 anos, apenas um único território de alta renda — a ilha de Porto Rico — apareceu na lista das dez principais perdas econômicas em porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB).





Em setembro passado, a devastação provocada pelo furacão Maria contribuiu para as maiores perdas totais desde 1998, de mais de 71 bilhões de dólares; o equivalente a 12,2% do PIB de Porto Rico.





Com exceção de Cuba, classificada como um país de renda média-alta na revisão de 20 anos, as outras dez nações mais afetadas em percentual de sua produção são todas de baixa renda.





O Haiti — onde um terremoto de magnitude 5.9 atingiu o noroeste da ilha há apenas quatro dias — registrou as maiores perdas, com 17,5% do PIB.





Em termos de mortes provocadas por desastres, o relatório indica que mais de 747 mil pessoas — 56% do total — morreram nas últimas duas décadas durante grandes eventos sísmicos, um total de 563 terremotos e tsunamis relacionados.





No geral, no entanto, mais de 90% de todos os desastres nos últimos 20 anos foram inundações, tempestades, secas e outros eventos climáticos extremos.





Ondas de calor são a próxima ‘explosão’ climática





Ondas de calor são uma ameaça global crescente para a qual as soluções precisam ser encontradas nos próximos cinco a dez anos, alertou a coautora do estudo, Debarati Guha, do Instituto de Saúde e Sociedade (IRSS), parte da Universidade Católica de Louvain (UCL).





“O próximo (fenômeno) que vai nos atingir com uma explosão é onda de calor”, disse ela. “Vai ser tanto em países pobres — lembre-se que os seres humanos têm um limite, um limite de resistência térmica — como será um grande problema nos países mais ricos”.





“Enfatizamos a necessidade de reduzir o risco existente para fortalecer a resiliência de pessoas e nações. Caso contrário, o sucesso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) será muito difícil”, disse Ricardo Mena, do UNISDR.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Tecnologia no campo: trator que anda sozinho é só o começo

O campo gera dados e informações que, quando interpretados pelos conjuntos de inteligência artificial, auxiliam na eficiência, nas tomadas de decisõe
O campo gera dados e informações que, quando interpretados pelos conjuntos de inteligência artificial, auxiliam na eficiência, nas tomadas de decisõe

Por Sergio Soares, diretor de Desenvolvimento de Produto e Engenharia Agrícola da CNH Industrial para América Latina





Os projetos de inovação no agronegócio estão em plena evolução e revolucionando o setor. Diante da necessidade de aumentar a produtividade e, ao mesmo tempo, a sustentabilidade no campo, produtores brasileiros têm apostado na tecnologia para otimizar a produção, aumentar o rendimento e o lucro das lavouras, sem impactar o ambiente. Nesse cenário, sistemas inteligentes já são aplicados no campo. 





O campo gera dados e informações que, quando interpretados pelos conjuntos de inteligência artificial, auxiliam na eficiência, nas tomadas de decisões e a criar estratégias para abastecimento, plantio, irrigação, pulverização, manejo e colheita. Também agrega valor e resultados em tecnologias, como GPS, sistemas autônomos, sensores de umidade de solo, irrigação, estações meteorológicas, drones. Por meio deles, identifica os objetos, as tendências e as soluções.





Com máquinas cada vez mais robustas e sistemas eletrônicos modernos, a adoção da agricultura de precisão se tornou padrão. Agora, o objetivo é usá-los de forma mais integrada, visando a redução de perdas, a fadiga do operador e a automação de ajustes, por meio da adoção de tecnologias ligadas à inteligência artificial e machine learning (aprendizado de máquina). São processos que tornam a máquina cada vez mais intuitiva. Assim,  a operação acumula experiências de acordo com os algoritmos no seu software, que "aprendem" a cada nova vivência e tomam "decisões" para otimizar a produção com o mínimo uso dos recursos. Apesar de parecer filme de ficção, isso está muito mais próximo do que imaginamos. Estão em teste equipamentos desenvolvidos para atingir a automação completa. Um exemplo é o trator autônomo, que durante testes, já plantou muitos hectares com mínima intervenção humana. Sem operador, monitorado via computador ou tablet, o equipamento é capaz de "tomar decisões". 





São tendências de tratores que em breve estarão prontos para revolucionar o campo. A produtividade está ligada à conectividade das máquinas e a autonomia será tendência forte pelas curtas janelas de plantio, recordes de safras e rapidez com que as inovações surgem. No futuro, as fazendas serão altamente tecnológicas e autônomas, os veículos se comunicarão entre si e o foco será em sustentabilidade para ter competitividade. Os desafios desde já estão na capacitação para ter mão de obra qualificada e na legislação para dar cobertura às operações autônomas.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Futuro das farmácias: Araujo adota conceito de integração on e off line

Novo serviço da Drogaria Araújo possibilita ao cliente comprar em casa e retirar o produto em qualquer loja
Novo serviço da Drogaria Araújo possibilita ao cliente comprar em casa e retirar o produto em qualquer loja

Radar do Futuro





Na disputa por posicionamento e manutenção de fidelidade de clientes, a rede de farmácias Araujo, proprietária de uma rede de 160 lojas, em 12 cidades mineiras, adotou um novo serviço, o Box Araujo. A iniciativa faz parte de estratégias inovadoras de comercialização e acesso a produtos nas lojas. A inovação acompanha a tendência de unificação e integração de canais online e offline – a loja física com o meio digital – com o objetivo de  propiciar uma nova experiência de compra para o cliente.





A empresa, segue as tendências do mercado de consumo e se adapta a novas possibilidades, que levam em conta as transformações do cenário tecnológico, econômico, social e político, que vão alterar a forma como o sistema produtivo funciona. Internet em todos as coisas, inteligência artificial, medicamentos nanotecnológicos e envelhecimento são alguns dos fatores que já movimentam os departamentos de marketing do setor. 





“Estamos entregando mais uma facilidade para o consumidor. Para utilizar o Box, é preciso apenas comprar pelo aplicativo App Araujo e indicar onde fará a retirada do produto - na loja ou no Box Araujo mais próximo”, explica Jarbas Ferreira Barbosa, gerente do delivery da Araujo.





Tecnologia aliada





Ele ainda reforça que a tecnologia será a grande aliada para pre­servar a segurança do produto e do cliente. “Não há mais a necessidade de pegar filas nos caixas, basta o consumidor ir à loja e retirar seu produto com um código.” O Box Araujo já está disponível em 16 lojas da Drogaria Araujo: Matriz, Gutierrez, Diamond Mall, Savassi, Praça da Bandeira, Life Center, Estoril, Trevo Nova Lima, Cidade Administrativa, Cristiano Machado, Castelo, Alípio de Melo, Nossa Senhora do Carmo, Gil Diniz, Tereza Cristina e Adolpho Cotta. Cada Box instalado possui um nome diferente, como se fosse mais um funcionário da Drogaria Araujo.





Na loja da Matriz, por exemplo, o Box se chama Jarbas. No Gutierrez, o nome do armário é Modesto e na Savassi, Silvinha. Em breve, o Box Araujo será disponibilizado também em pontos estratégicos da cidade, como empresas, shoppings, estações de metrô e outros locais, garantindo mais agilidade e a facilidade para o cliente.





Outra inovação que a Araujo oferece para os seus clientes é a tecnologia NFC, uma opção de pagamento por aproximação, ainda mais segura e com facilidades para o usuário. Com isso, é possível efetuar o pagamento das compras por meio de um aplicativo Samsung Pay ou Apple Pay e da pulseia eletrônica Visa ou Santander disponibilizada pelo banco.





Inovação como prioridade





Ao apostar sempre em inovação, a Araujo diversifica os serviços oferecidos aos clientes e marca presença na vida dos mineiros. A drogaria conta com um mix completo de produtos – são mais de 18 mil itens comercializados – que contempla as áreas de higiene pessoal, mamãe e bebê, beleza, dermocosméticos, pet shop, fitness, melhor idade, ortopédicos e diets.





A empresa foi a primeira a criar o plantão 24 horas, o primeiro serviço de telemarketing do Brasil – o Drogatel Araujo e a primeira Drogaria Drive Thru. Para completar, a Araujo também criou a Central Farmacêutica – que oferece atendimento 24 horas de farmacêuticos em vídeo chamada – e o Serviço Farmacêutico, programa de atendimento personalizado que orienta a adoção de novos hábitos de saúde e complementa o tratamento prescrito pelo médico.





Em 2015, a Drogaria inovou mais uma vez ao lançar o serviço de Vacinas com o Padrão Araujo de Medicamentos. Sempre atenta às necessidades do cliente, a empresa também oferece testes rápidos que são realizados na hora. A lista inclui medição da pressão, glicemia e hemoglobina glicada, colesterol, glicemia com colesterol, teste de dengue, Teste do Pezinho, coagulação (RNI/TP) e perfil lipídico (Col, HDL, Tri). Outro diferencial da empresa é o Laboratório de Manipulação, que é um dos mais modernos do Brasil.





A empresa não mede esforços para criar uma experiência única para seus clientes. Dentro do App Araujo existem diversos recursos para facilitar a vida do cliente. Na opção Receita Ágil é possível comprar medicamentos com receita de forma rápida e simples. Basta o cliente fotografar a receita e anexar ao pedido e efetuar a compra pelo aplicativo.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Materiais sustentáveis ganham espaço no mercado

As notáveis mudanças climáticas e no meio ambiente são consequências, em sua grande maioria, da ação humana. A construção civil, apesar de ser um dos setores mais importantes na economia, é também uma das que mais contribui para a degradação do meio ambiente, devido ao grande número de resíduos. De acordo com pesquisas, estima-se que mais de 50% dos resíduos sólidos gerados pelo conjunto das atividades humanas sejam provenientes da construção.





No mesmo compasso que as consequências ambientais se tornam perceptíveis, mudanças no segmento da construção civil são notadas. É que, em 2016, 192 empreendimentos brasileiros haviam sido registrados no United States Green Building Council – USGBC em busca da certificação. Ao mesmo passo que a demanda aumenta, empresas que oferecem alternativas sustentáveis também crescem.





Segundo o empresário Renato Las Casas, a percepção das pessoas em relação aos reflexos ambientais tem crescido junto com a globalização da informação. “Hoje em dia é possível ter mais noção dos reais impactos causados ao meio ambiente. Apesar de não ter como voltar no tempo e mudar o que foi feito, é possível adotar medidas para estancar e amenizar os problemas ambientais”, afirma. Ele, que é diretor comercial da empresa Ecogranito, trouxe ao Brasil um modelo de revestimento sustentável criado no Japão.





Apontado pelo Conselho Internacional da Construção – CIB, a indústria da construção é o setor de atividades humanas que mais consome recursos naturais e utiliza energia de forma intensiva, gerando impactos ambientais. Partindo deste princípio, o material desenvolvido pela Ecogranito – que leva o mesmo nome da empresa – é criado à base de resina acrílica aquosa e possui a mesma aparência do granito. De maneira oposta à rocha ornamental, o ecogranito não necessita da exploração de jazidas e do corte de rochas.





“O revestimento é uma das etapas da obra que mais demandam material. Sendo assim, a adoção de estratégias que preservam o meio ambiente torna-se tão importante”, aponta Las Casas. Além de não utilizarem o corte das rochas, o material é fixado com um produto específico, que funciona como se fosse uma cola, desta forma descarta-se a necessidade de areia e cimento para assentamento, como é usado nos casos de mármore e granito.





ECOGRANITO





A Ecogranito foi fundada em 2009 pelos investidores Las Casas & Cia e Hsieh Empire Participações. Juntos, trouxeram ao Brasil, a tecnologia japonesa, criada pelo Sr. Hiromichi Kano, para o desenvolvimento de revestimentos inteligentes.





Desde então, a Ecogranito desenvolve e produz texturas modernas, diferenciadoras e com aparência final surpreendentemente semelhante às rochas ornamentais. O revestimento Ecogranito oferece o que há de melhor quando o assunto é design, requinte, praticidade, baixo custo-benefício e sobretudo conservação ambiental.





A empresa está totalmente comprometida com o meio ambiente, por meio de aproveitamento de resíduos de granito e mármore, gerados na exploração de jazidas. Além de não cortar rochas, o aproveitamento desses resíduos diminui os impactos ambientais e gera sustentabilidade.





Fonte: Assessoria de Comunicação

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Como apoiar o desenvolvimento da ciência no Brasil


Diogo Afonso Leitão, aluno do Colégio Loyola, está entre os 30 semifinalistas do Breakthrough Junior Challenge, prêmio internacional de vídeos inovadores sobre o ensino de ciências

Radar do Futuro





Ensinar, em apenas três minutos e de forma criativa, agradável e precisa, conceitos complexos de física ou matemática. Esse foi o desafio aceito pelo aluno da 2ª Série do Ensino Médio do Loyola, Diogo Afonso Leitão, 16 anos, ao se inscrever no Breakthrough Junior Challenge, uma competição global de vídeos originais e inovadores destinada a estudantes de 13 a 18 anos.





O esforço do estudante deve ser valorizado especialmente no cenário de um País onde a ciência recebe pouca valorização. E, sem a ciência, as perspectivas podem ser sombrias para o futuro diante dos cortes sistemáticos de verbas para o desenvolvimento tecnológico e desenvolvimento de oportunidades.





Resultado do esforço pessoal, apoiado por professores e pela escola, o vídeo de Diogo, “Quantum Physics: The Nature of Matter”, foi selecionado para a semifinal da competição, integrando a lista de 30 trabalhos que se destacaram entre mais de 2,5 mil inscritos de todos os continentes. Esta é a terceira vez consecutiva que o participante brasileiro alcança essa fase da competição.





Apoio





Para criar o vídeo, o aluno contou com a orientação do professor de Física Patrick Bonnereau. Desde a definição e refinamento do tema até a edição final do vídeo, foram mais de sete meses de dedicação e cinco versões de roteiro. “Além de empolgado com a ciência, o Diogo é muito concentrado, cheio de iniciativa, criativo e apresenta habilidades de um comunicador nato, com apenas 16 anos. Acompanhá-lo nessa jornada foi uma honra. Trabalhamos por algo em que acreditamos, que é a divulgação da ciência; e o Diogo quer compartilhar com outros jovens o prazer que ele tem em aprender”, resume o professor.





O estudante que for classificado em 1º lugar no prêmio receberá uma bolsa de estudos no valor de US$ 250 mil, a escola de origem receberá US$100 mil para investimento nas instalações dos laboratórios de ciência, e o professor que inspirou o trabalho receberá US$50 mil. Chega à final o vídeo mais curtido, compartilhado ou avaliado com emoji, na página oficial do prêmio no Facebook, até o dia 20 de setembro. O escolhido pelo voto popular disputará o grande prêmio ao lado de mais cinco candidatos definidos pelo júri. O vencedor será anunciado em novembro.





Link do vídeo: https://www.facebook.com/BreakthroughPrize/videos/2195091140711754/





Talento





O mundo dos vídeos sobre conceitos científicos não é estranho para Diogo. Em 2015, quando estava no 8º Ano, ele criou um canal de vídeos no YouTube para compartilhar curiosidades sobre ciências. O objetivo era “estimular as pessoas a buscarem o saber da ciência e fazer com que se apaixonem por ela”. Neste mesmo ano, recebeu o certificado de medalha de ouro na Copa Brasil de Matemática, Mangahigh.





Já em 2016, no 9º Ano, ele recebeu medalha de prata na segunda Copa Brasil de Matemática e foi finalista do Breakthrough Junior Challenge, ficando entre os 15 melhores desta competição global. Atualmente, o Portal da Ciência (https://www.youtube.com/channel/UC4iI8T1vfJuLDnHlAzBta1g), que conta com 57 mil inscritos e quase 2 milhões de visualizações, aborda temas de física, astronomia, matemática e até ciências políticas. “Escolho os temas baseado no quão complexos, relevantes e fascinantes eles são. Afinal, o espírito da ciência é desbravar o desconhecido, e são nos temas mais difíceis que se encontram as verdades mais surpreendentes.”





Diogo explica que a participação no Breakthrough Junior Challenge é uma oportunidade única para ampliar a popularização dos conhecimentos científicos. "Fico muito honrado por representar o Brasil, mas também decepcionado por ser o único. Isso é reflexo de uma desvalorização da ciência em nosso país. E, em minha concepção, não há desenvolvimento sem ciência e sem a democratização do conhecimento. Caso eu consiga esta bolsa de estudos, pretendo estudar Ciências Políticas nos EUA para, depois, retornar ao Brasil. Essa escolha se baseia no sonho de ajudar no desenvolvimento do país e, principalmente, na valorização da pesquisa e dos professores", esclarece o estudante de 16 anos.





Saiba mais





Criado em 2012 por meio da parceria entre Sergey Brin e Anne Wojcicki, Yuri e Julia Milner, além de Mark Zuckerberg e Priscilla Chan, o Breakthrough Prize é um prêmio anual para feitos relevantes nas áreas de ciências naturais, física e matemática. Em 2015, foi criado o Breakthrough Junior Challenge, a partir de recursos disponibilizados por Mark Zuckerberg (Silicon Valley Community Foundation) e pela Milner Global Foundation, com o objetivo de desenvolver o conhecimento dos jovens e promover a escolha de carreiras científicas, além de estimular a imaginação e o interesse do público em geral por conceitos fundamentais da ciência.





A estudante Hillary Diane Andales, de 18 anos, da cidade de Tacloban, nas Filipinas, foi a vencedora do ano passado, com um vídeo sobre a teoria da relatividade e a equivalência de referenciais. Hilary usará o dinheiro recebido para estudar física na universidade e deseja escrever mais sobre ciência, para despertar o interesse de leigos pelo assunto. 





Em 2017, a competição recebeu mais de 11 mil inscrições válidas de 178 países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Índia, México, Canadá, Reino Unido, Austrália, China, Japão, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Tailândia, Turquia, Vietnam, Noruega, França, Israel e Peru. Entre os parceiros do prêmio estão a Khan Academy, a Cold Spring Harbor Laboratory (CSHL) e a National Geographic.





Para mais informações, acesse: https://breakthroughjuniorchallenge.org/





Com informações da assessoria de imprensa

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

O que você precisa saber sobre deep learnign com imagens

"Deep Learning com imagens - estado atual da tecnologia" é o tema 
o 4º Meetup de IA, que será realizado no próximo dia 26 de setembro, em Belo Horizonte. Representantes de duas empresas vão contar as suas experiências na área, que é uma sub-área da inteligência artificial.





Renato Correa, da Invent Vision, apresentará um Sistema de Visão desenvolvido para indústria que utiliza Deep Learning para detecção de falhas. Além disso, apresentará os atuais desafios e as perspectivas para o desenvolvimento de soluções de visão para fabricantes que utilizam técnicas de Machine Learning em geral.





Na outra palestra, o CEO da SVA Tech, Roberto Fernandino, avalia os impactos atuais da inteligência artificial nos nos dias de hoje, inclusive com uma uma abordagem sobre a disruptura que ocorre nas interseções das tecnologias. Também vai apresentar casos de uso reais usando visão computacional.





4º Meetup de IA
Deep Learning com imagens - estado atual da tecnologia 





quando:
quarta-feira, 26 de setembro de 2018
19:00 até 21:00





Onde: 
Instituto Metodista Izabela HendrixR. da Bahia 2020, Lourdes, Belo Horizonte - MG, 30160-012 · Belo Horizonte





Inscreva-se
https://www.meetup.com/pt-BR/Meetup-de-Inteligencia-Artificial/events/254565163/?action=rsvp&response=yes#

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

TIM Brasil investe na internet com alta velocidade

Novidade implantada pela TIM Brasil demonstra que as visões de futuro da internet estão se tornando cada vez mais reais

Carlos Teixeira
Jornalista - Radar do Futuro





"As Olimpíadas do Japão serão a grande vitrine global do salto exponencial da tecnologia na próxima década." A avaliação é de Marco Di Constanzo, diretor de Engenharia da TIM Brasil, para quem o público presencial e os telespectadores terão experiências inéditas nos estádios, nos locais de hospedagem, no transporte ou diante de aparelhos de televisão. Será o acesso a inovaçoes que tendem a ser comuns nos anos seguintes, em todos lugares do planeta. 





Táxis sem motoristas, robôs tradutores, ruas solares e energia totalmente renovável serão algumas das inovações. A tecnologia terá dado um salto efetivamente amplo em decorrência da força e da velocidade de quinta geração das tecnologias 5G. Para o executivo Di Constanzo, a TIM Brasil, no mesmo ano de 2020, estará desenvolvendo os testes comerciais da tecnologia, para que ela seja adotada comercialmente no Brasil já no ano seguinte.





Na prática, a operadora vem intensificando os investimentos e o reposicionamento para garantir vantagens na corrida pela maior qualidade de atendimento aos consumidores. Líder em cobertura 4G no Brasil, ela disponibilizou o sistema Voice over LTE (VoLTE) em Belo Horizonte e 176 municípios mineiros. São 1500 cidades brasileiras com o salto tecnológico, com projeção de mais de 2 mil até o final do ano. 





Agilidade da atualização





O serviço permite ligações de voz em alta definição pela rede de quarta geração. Para o consumidor, a implantação significa que a distância que separa as inovações entre o Brasil e outros cantos do mundo deve ser encurtada de forma mais rápida do que se imagina, mesmo com o cenário negativo do ambiente econômico interno. 





Há, segundo  Di Constanzo, a tendência de mudança das regras do jogo, em que o consumidor começa a ver de fato a adoção de novidades como vídeos de ultra qualidade, realidade virtual, internet das coisas, indústria 4.0 e aplicações de inteligência artificial no saúde.





A TIM Brasil destaca que a funcionalidade do VoLTE permite que as ligações, hoje realizadas por circuitos, evoluam para uma rede de dados, garantindo eficiência e estabilidade para o processo de comunicação e de interação dos usuários. Qualidade é, de fato, uma das vantagens da novidade, já que as ligações são realizadas em alta definição de voz, sem ruídos. Mesmo em um ambiente em que há pessoas conversando é possível ouvir bem outra pessoa pelo telefone.





Outros fatores importantes para o usuário são a navegação simultânea, utilizando o 4G e a redução do consumo de bateria, com duração até 35% maior em ligações de voz. Além disso, outro aspecto importante relacionado com o aumento da velocidade, o tempo de estabelecimento da ligação passa a ser quatro vezes mais rápido que o atual. 





As inovações posicionam a TIM Brasil como concorrente de destaque no cenário da telefonia digital, onde algumas das previsões sobre o que seria o futuro já estão disponíveis. A acelerada expansão da rede 4G, que está disponível em mais de 3,1 mil municípios brasileiro, vem acompanhada da velocidade na prestação de serviços aos seus usuários.





A operadora foi a primeira a utilizar a agregação de três frequências -- 1800 MHz, 2600MHz e 700 MHz), inclusive em Minas Gerais, melhorando a navegação móvel de seus usuários. Hoje, mais de 80% do tráfego gerado nos smartphones dos clientes mineiros vem da tecnologia de quarta geração, que conta com uma velocidade mais alta e um tempo de resposta de dados mais curta. 

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Futuro da veterinária: profissão terá oportunidades

Minha filha, Luiza Fernanda, tem 17 anos, adora animais e pretende fazer veterinária. É uma boa alternativa?
Minha filha, Luiza Fernanda, tem 17 anos, adora animais e pretende fazer veterinária. É uma boa alternativa?

Luiza Fernanda deve encontrar um mercado promissor em 2025, quando se formar em medicina veterinária, como ela imagina hoje, enquanto se prepara para fazer o Enem em 2019. Em um cenário de revolução tecnológica e transformações gerais na sociedade do futuro, os especialistas no diagnóstico, monitoramento, tratamento ou pesquisa de doenças e lesões de animais, profissionais da especialidade tendem a  conviver com o crescimento de demanda por seus serviços.





Em meados da próxima década, a profissão não deve sofrer impactos negativos dos avanços das tecnologias na geração de oportunidades de trabalho. Aliás, as inovações podem gerar, até lá, novos recursos para o acompanhamento da saúde dos bichos e prescrição de tratamentos.





Luiza Fernanda será favorecida por fatores econômicos e sociais, inclusive pelas mudanças demográficas, como o envelhecimento da população e redução do tamanho das famílias. Hoje, mesmo com uma crise geral, o segmento registra crescimento da demanda por conta das mudanças do perfil da população e por novos hábitos e interesses que envolvem a posse e o cuidado com os animais.





A medicina veterinária vem obtendo mudanças consideráveis em seu perfil de demanda. Os veterinários de 2018 são capazes de oferecer muitos serviços comparáveis ​​aos cuidados de saúde para os seres humanos, incluindo procedimentos mais complicados, como tratamentos de câncer e transplantes de rim. E isto tende a evoluir. Por assim dizer, bichos vão preencher o espaço que no passado eram ocupados pelas crianças.





Processos industriais





É bom lembrar que nem tudo na medicina veterinária é “pet”. A atividade também é favorecida por demandas da área agroindustrial, ponto forte da economia brasileira. A futura profissional poderá se envolver em questões de saúde, alimentação e reprodução de rebanhos, segmento onde assume o papel de inspeção produção de alimentos de origem animal. A especialidade tem função estratégica na verificação do cumprimento das normas de higiene nas indústrias, a fim de evitar a transmissão de doenças para o ser humano.





Na indústria alimentícia, há oportunidades decorrentes da necessidade de controle dos processos de produção. Em qualquer indústria que use matéria-prima de origem animal, a presença do graduado é indispensável para fazer o controle das proteínas que serão consumidas. E o especialista pode atuar, ainda, na área de vendas de alimentos, remédios, vacinas e de outros artigos para animais.





Futuro da veterinária





Você entregaria o seu bichinho de estimação a um robô? A probabilidade de que a resposta seja totalmente majoritária pelo “não” só pode levar a uma conclusão: em 2025, quando Luiza Fernando pretende terminar o curso, o trabalho dos veterinários não será executado por máquinas inteligentes.





O componente humano da relação com o cliente será uma garantia de que as oportunidades existirão. Um estudo de Carl Benedikt Frey and Michael A. Osborne, dois pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, atesta que a profissão tem apenas 3,8% de chances de ser automatizável. Há uma necessidade evidente, também, da inteligência humana para avaliar detalhes do comportamento humano na relação com seus bichos.





Os pontos fracos da profissão, especialmente para quem imagina trabalhar exclusivamente com animais doméstico, estão associados ao fato de que a atividade não é essencial, apesar de importante. O valor do trabalho pode ser inacessível para grande parte da população, em uma situação de falta de empregos e de concentração de renda, que pode ocorrer no futuro. A demanda pelos serviços tende a continuar crescendo, mas a renda que será gerada para o pagamento pode ser reduzida, desvalorizando o profissional.





Impactos tecnológicos





A evolução tecnológica terá papel importante na evolução da medicina veterinária. A começar pelo uso de sistemas que vão agilizar os diagnósticos de doenças. Recursos disponíveis para humanos, como exames de sangue com resultados imediatos, tendem a ser transferidos para os consultórios veterinários.





A vida dos animais também será expandida, assim como as dos seres humanos. Chips poderão monitorar continuamente a saúde dos bichos. E próteses darão a oportunidade de recuperação de movimentos para os animais vítimas de acidentes. O cenário revela, então, que o especialista deverá estar aberto ao dominio de recursos tecnológicos para garantir espaço no mercado de trabalho.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

5 tecnologias que mudarão o comércio global para sempre

Para especialistas do Fórum Econômico Mundial, os impactos das tecnologias serão expandidos
Para especialistas do Fórum Econômico Mundial, os impactos das tecnologias serão expandidos

O comércio global está próximo do momento das grandes transformações decorrentes da introdução efetiva das tecnologias disruptivas. Aquelas mudanças capazes de substituir padrões antigos por novos. A avaliação é de Ziyang Fan e Cristian Rodriguez Chiffelle, especialistas e membros do Fórum Econômico Mundial, em texto publicado no site da organização.





Segundo eles, o mundo vive a etapa em que a combinação de diferentes tecnologias, em diferentes partes do ciclo de vida de adoção poderá  mudar a forma como os recursos são alocados e a operação do comércio internacional. "Os governos e as empresas precisam entender as tendências atuais para se manterem à frente da curva", assinalam.





Com atenção voltada aos movimentos dos Estados Unidos e da China, o mundo parece alheio ao que está ocorrendo de fato no comércio internacional. O planeta gira enquanto a maior parte das discussões se concentra na ameaça de uma guerra comercial, nas tarifas e na saúde da ordem global de comércio.





Tecnologias disruptivas





"Embora extremamente importantes, essas conversas estão perdendo um lado mais brilhante do comércio internacional -- como as tecnologias inovadoras na Quarta Revolução Industrial estão transformando o comércio, tornando os processos mais inclusivos e eficientes", assinalam Ziyang Fan e Cristian Chiffelle.





Eles reconhecem que o impacto das tecnologias não é novo para o sistema de comércio global. A revolução da energia a vapor conectou o mundo como nunca antes. A invenção dos contêineres de transporte lançou as bases para a globalização. Mais recentemente, tecnologias como o reconhecimento óptico de caracteres (OCR), aplicado à leitura de números de contêineres, identificação por radiofrequência (RFID) e códigos QR, para identificar e rastrear remessas e digitalização básica de documentos comerciais, melhoraram a confiabilidade e a eficiência do comércio internacional.





Há contradições pelo caminho. Persistem ainda acordos comerciais escritos no passado, transações vinculadas a grandes quantidades de papel e o financiamento que ainda depende de métodos bancários tradicionais. Ou seja, o sistema de comércio global não conseguiu tirar proveito das tecnologias de ponta, que poderiam tornar o comércio mais eficiente, mais inclusivo e menos oneroso.





Tecnologias em destaque





A partir de estudos realizados no Fórum Econômico Mundial, Ziyang Fan e Cristian Rodriguez Chiffelle fizeram uma lista de cinco tecnologias que vão mudar profundamente o comércio global nos próximos anos. Confira abaixo:





1. blockchain





As tecnologias de blockchain podem ter um tremendo impacto na cadeia de fornecimento do comércio global . Organizações comerciais como a Câmara de Comércio e Indústria de Dubai lançaram uma iniciativa para alavancar a tecnologia blockchain para tratar de questões relacionadas ao tema, como altos custos de operações e falta de transparência e segurança.





Além de tornar a movimentação de mercadorias mais eficiente e confiável, as soluções baseadas em blockchain estão alterando o sistema de financiamento do comércio mundial. Por exemplo, a tecnologia de blocos  está sendo usada para simplificar o longo e tedioso processo de obtenção de uma Carta de Crédito (LoC, da sigla em inglês), um mecanismo de pagamento usado no comércio internacional.





A Deloitte ajudou um banco indiano do setor privado a reprojetar sua emissão de LoC ao desenvolver uma solução blockchain que reduziu o tempo de emissão de 20 a 30 dias para horas. Em outros casos, empresas como a Skuchain estão facilitando o acesso à LoC ao mesmo tempo em que  fornece rastreamento em tempo real de bens e financiamento de estoque, o que agiliza as transações e permite que financiadores forneçam apoio de capital de giro a todos os parceiros da cadeia de fornecimento ao menor custo de capital.





2. Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina





A Inteligência Artificial e o Aprendizado de Máquina podem ser usados ​​para otimizar as rotas de envio comercial, gerenciar o tráfego de embarcações e caminhões nos portos. Também para traduzir as consultas de pesquisa de comércio eletrônico de um idioma para outro.





Mais do que ganhos de eficiência e melhores serviços ao consumidor, a inteligência artificial também está sendo usada para tornar o comércio global sustentável. Por exemplo, o Google lançou o Global Fishing Watch em 2016, uma ferramenta em tempo real que usa o aprendizado de máquina para combater a pesca ilegal, fornecendo uma visão global das atividades de pesca comercial com base nos movimentos de navios e dados de satélite. Pode ser usado por governos e outras organizações para identificar comportamentos suspeitos e desenvolver políticas sustentáveis.





3. Serviços de negociação através de plataformas digitais





É cada vez mais fácil negociar serviços on-line. Plataformas digitais como o Upwork permitem que os usuários encontrem provedores de serviços de todo o mundo para uma ampla gama de serviços e possam encontrar desde um desenvolvedor web na Sérvia até um contador no Paquistão assistente nas Filipinas.





Enquanto isso, startups como a plataforma internacional de aprendizagem VIPKID emparelham educadores americanos com crianças chinesas para ensinar inglês online. Essas plataformas digitais conectam perfeitamente os clientes aos provedores de serviços, de uma maneira que não era possível antes, quando esses serviços profissionais eram entregues principalmente em pessoa.





4. impressão 3D





O júri ainda está fora do impacto da impressão 3D no comércio global. Há estudos que prevêem que, uma vez que a impressão 3D de alta velocidade seja adotada em massa e barata o suficiente, o comércio global pode diminuir em até 25%, já que a impressão 3D exige menos mão de obra e reduz as necessidades de importação. 





Outros argumentam que tais visões são otimistas demais e não levam em conta a complexidade e a realidade da manufatura em massa.Independentemente das posições, o impacto da impressão 3D no comércio global é real, especialmente à medida que métodos mais rápidos e baratos de impressão 3D se tornam disponíveis.





5. Pagamentos móveis





Do Apply Pay ao Alipay para o M-Pesa, os pagamentos móveis estão transformando a maneira como vivemos e conectando mais pessoas às oportunidades de mercado. De acordo com o Banco de Dados de Inclusão Global do Banco Mundial , o número de pessoas que obtiveram acesso a contas bancárias aumentou 20% entre 2011 e 2014. As contas em dispositivos móveis foram um grande impulso para a inclusão financeira, especialmente nas economias emergentes.





 Pagamentos móveis estão transformando a maneira como vivemos

Por exemplo, na África Subsaariana, 12% dos adultos (64 milhões de adultos) têm contas celulares (em comparação com apenas 2% em todo o mundo), e 45% deles têm exclusivamente a na internet. À medida que a população recém-depositada se conecta a pagamentos móveis, será muito mais fácil para eles participar do comércio global, seja como consumidores ou empresas.





Desafios de governança





Deve-se notar que essas tecnologias também apresentam difíceis desafios de governança, tanto doméstica quanto transnacional. Da falta de estrutura de governança aos requisitos incompatíveis de licenciamento e tributação, a acordos comerciais desatualizados, não é possível simplesmente supor que essas tecnologias criarão raízes e darão frutos automaticamente.





As partes interessadas, tanto dos setores públicos quanto privados, devem trabalhar em conjunto para estabelecer a estrutura e promover o ambiente para que essas novas tecnologias liberem seu potencial positivo, enquanto mitigam os possíveis danos. Em particular, as partes interessadas devem adotar a abordagem de governança ágil com múltiplas partes interessadas e centrada no ser humano para permitir espaço para experimentação e para obter informações de um conjunto diversificado de participantes. 





Além disso, na ausência de um padrão global, os órgãos regionais devem se encarregar e liderar os esforços para harmonizar as regras regionais em questões como fluxo de dados, licenciamento e tributação.





As inovações tecnológicas oferecem um futuro estimulante para o comércio internacional entre as incertezas de hoje. "Com a abordagem governamental correta, essas inovações darão início a um crescimento comercial mais inclusivo e eficiente nos próximos anos", dizem os autores.





Informação original em Weforum.org

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